São Paulo, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
Dólar R$ 5,18 · Euro R$ 5,88 · Ibovespa 186.340 +0,00%
Notícia com critério
Economia

Tarifas chinesas ampliam impasse comercial entre Reino Unido e União Europeia

Bloco europeu vincula o acesso britânico a seus programas e mercados a um alinhamento maior nas medidas contra produtos chineses.

Tarifas chinesas ampliam impasse comercial entre Reino Unido e União Europeia
Foto: Reuters

O Reino Unido enfrenta pressão da União Europeia para aproximar sua política comercial da adotada pelo bloco, sobretudo em relação aos veículos elétricos chineses. A exigência ocorre enquanto Londres tenta preservar autonomia tarifária, atrair investimentos chineses e manter acesso a programas europeus de subsídios.

A União Europeia considera que a adesão britânica à união aduaneira seria a forma mais ampla de resolver as divergências tarifárias. Uma autoridade do bloco afirmou que o alinhamento reduziria o risco de a China usar o Reino Unido para contornar as tarifas europeias e alcançar os países da UE.

O primeiro-ministro Andy Burnham, porém, rejeita a entrada na união aduaneira e no mercado único. Ele também afirmou que manterá os limites definidos pelo Partido Trabalhista nas últimas eleições.

Veículos elétricos e aço

O Reino Unido não acompanhou a União Europeia quando o bloco criou tarifas sobre veículos elétricos chineses, em 2024. Desde então, fabricantes da China conquistaram, juntos, 16% do mercado britânico de carros novos neste ano.

A adoção de medidas semelhantes às europeias poderia incluir tarifas antissubsídios de até 45% sobre esses veículos. A mudança reduziria a margem de decisão obtida pelo Reino Unido após o Brexit e poderia elevar os preços para os consumidores.

Massimiliano Messina, chefe da Nissan na Europa, disse que o país corria o risco de se tornar um corredor para a entrada de veículos elétricos chineses na União Europeia. “O Reino Unido como um todo precisa ajustar parte de sua política tarifária”, afirmou.

No setor siderúrgico, o Reino Unido acompanhou, com relutância, uma iniciativa europeia adotada no início deste ano. A medida dobrou as tarifas sobre o aço para 50% e reduziu as cotas pela metade, em resposta ao excesso global de capacidade impulsionado sobretudo pela China.

Acesso a subsídios

Ao mesmo tempo, o governo britânico tenta incluir suas cadeias de fornecimento automotiva, química e energética no programa europeu “fabricado na Europa”. Londres teme que a indústria do país fique fora de programas de subsídios do bloco.

A política pretende favorecer fabricantes da União Europeia em subsídios e compras públicas, como parte da resposta à concorrência chinesa. Líderes da indústria automotiva questionam por quanto tempo o Reino Unido poderá manter tarifas diferentes das europeias e ainda ter suas cadeias consideradas europeias.

A tensão também aparece na indústria química. As importações chinesas de menor preço provocaram medidas antidumping da União Europeia, e novas ações são previstas para os próximos meses. Neste mês, o bloco anunciou que monitoraria as exportações britânicas de dióxido de titânio para a Europa.

A decisão veio depois que autoridades britânicas de defesa da concorrência autorizaram a maior produtora chinesa do agente branqueador industrial a comprar uma fábrica em Teesside, no nordeste da Inglaterra, que entrou em recuperação judicial em outubro do ano passado.

Marie-Sophie Dibling, sócia do escritório Cassidy Levy Kent, que representa a indústria química da União Europeia, afirmou que o Reino Unido poderá perder acesso caso não se alinhe às regras comerciais do bloco. “A UE reforçará a proteção contra o Reino Unido”, disse.

Pressão sobre Londres

O secretário de Negócios do Reino Unido, Jonathan Reynolds, pediu neste mês informações à indústria química sobre importações desleais. Ele afirmou que os dados ajudariam o governo a decidir onde novas medidas de defesa comercial poderiam ser necessárias.

O endurecimento contra a China, contudo, poderia afetar a relação com um importante investidor e parceiro comercial do Reino Unido. O relato chinês sobre a primeira conversa telefônica de Burnham com o presidente Xi Jinping registrou a expectativa de Pequim de que Londres protegesse os direitos e interesses de investidores chineses.

John Alty, ex-diretor-geral de política comercial do Departamento de Comércio Internacional do Reino Unido, afirmou que o país tinha pouca escolha além de igualar as tarifas europeias sobre o aço. Para ele, decisões desse tipo tendem a se tornar mais difíceis com o aumento da concorrência entre a China e os países ocidentais.

O Departamento de Negócios, Inovação, Ciência e Comércio disse buscar uma cooperação mais profunda com a União Europeia, sem provocar danos colaterais à economia britânica. O órgão afirmou que Londres continuará adotando medidas comerciais de forma independente, mas reconheceu que os dois lados enfrentam desafios semelhantes e precisam proteger seus fluxos comerciais.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.