SÃO PAULO — A Polícia Civil do Rio de Janeiro cumpriu um mandado de busca e apreensão contra um ex-executivo de vendas do iFood, investigado por suspeita de espionagem industrial. A apuração considera a possibilidade de que ele tenha levado informações sigilosas da empresa ao deixar o cargo e passar a trabalhar na 99Food.
O profissional pediu demissão em abril do ano passado, quando a concorrente chinesa iniciava sua atuação no mercado de delivery do Rio de Janeiro. O mandado foi expedido pela Justiça em janeiro deste ano e executado na quarta-feira (16).
Dados sob investigação
Antes de sair do iFood, o funcionário teria habilitado seu e-mail pessoal no computador corporativo e baixado arquivos confidenciais. Entre as informações estariam condições comerciais negociadas com clientes, volume de vendas, pedidos e estratégias, além de dados sigilosos de restaurantes parceiros.
O iFood informou que apresentou a denúncia para esclarecer como os dados foram utilizados e com quem foram compartilhados. A empresa afirmou que há indícios de que o ex-funcionário tenha trabalhado em uma plataforma concorrente e disse estar adotando medidas judiciais para proteger seus dados, parceiros e o ecossistema de delivery.
A 99Food declarou que trata relatos desse tipo com seriedade e que não tolera o uso ilegal de dados. A empresa também afirmou que a pessoa citada não faz parte de seu quadro de colaboradores e mencionou políticas de treinamento, monitoramento e responsabilização.
O caso no Rio não é o único pedido de investigação apresentado pelo iFood. A empresa informou que existe apuração semelhante na Polícia Civil de São Paulo. Também há uma ação judicial contra outra concorrente, com pedido de indenização de R$ 1 milhão por concorrência desleal, com base nos parágrafos 9 e 12 do artigo 195 da Lei de Propriedade Industrial.
Diego Barreto, CEO do iFood, afirmou que a empresa recorreu à quebra de sigilo de uma plataforma online nos Estados Unidos para identificar indícios de espionagem. Ele disse que a medida permitiu avançar na investigação e que a Justiça brasileira chega aos casos, ainda que lentamente.


