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Economia

Juros e ativos devem reagir ao plano fiscal do próximo governo, diz Funchal

CEO da Bradesco Asset projeta três cenários após a eleição e afirma que uma agenda fiscal rigorosa pode acelerar a queda dos juros.

Juros e ativos devem reagir ao plano fiscal do próximo governo, diz Funchal
Foto: Estúdio 3LADOS

Os preços dos ativos financeiros devem refletir o caminho escolhido pelo próximo governo para as contas públicas, afirmou Bruno Funchal, CEO da Bradesco Asset Management. O executivo trabalha com três possibilidades para o período posterior às eleições deste ano: um ajuste fiscal mínimo, um ajuste mais profundo ou a ausência de medidas nessa área.

Funchal disse que a NTN-B já sinaliza a percepção de risco fiscal, com remuneração de 8% ao ano de juros real. Para ele, se a dívida continuar subindo, além dos juros, o câmbio poderá reagir diante do aumento da incerteza.

Três caminhos para as contas públicas

No cenário considerado base, o ajuste incluiria medidas para dar mais flexibilidade ao Orçamento, como mudanças nas vinculações de saúde e educação e a possibilidade de transitar despesas entre linhas orçamentárias sem vinculá-las à receita. Funchal também citou uma revisão da regra do salário mínimo e um limite menor para o crescimento das despesas.

Entre as alternativas mencionadas estão limitar o avanço dos gastos a IPCA mais 2%, em vez de IPCA mais 2,5%, levar as despesas de educação a uma maior eficiência e rediscutir o Fundeb dentro do limite de despesa. Segundo o executivo, não há medida fácil, mas esse conjunto seria o mínimo para iniciar um governo e buscar mais credibilidade para ancorar as expectativas.

O ex-secretário especial do Tesouro e do Orçamento entre 2020-2021 afirmou que 93% do Orçamento corresponde a despesas obrigatórias aprovadas por parlamentos passados. Na avaliação dele, a rigidez impede a atualização das prioridades e reduz o espaço para investimentos em áreas novas, como infraestrutura tecnológica para inteligência artificial.

Efeito sobre os juros

A projeção da Bradesco Asset é de mais duas quedas de juros neste ano, até 13,25% ao ano, e de continuidade do movimento no ano que vem. Com uma agenda fiscal mais rigorosa, Funchal avalia que a taxa poderia chegar a 11% ao ano, porque a melhora das expectativas aceleraria a redução.

Sem uma política fiscal mais equilibrada, a queda poderia ocorrer apenas pela desaceleração econômica, sem o benefício de uma ancoragem das expectativas. O executivo afirmou que despesas crescendo rapidamente e um Orçamento rígido contribuem para o avanço da dívida, enquanto a estabilização dela tende a reduzir os juros.

Para Funchal, o presidente da República é o responsável pela política fiscal e precisa sinalizar claramente o compromisso com o ajuste. Essa indicação, segundo ele, só deve ocorrer depois da eleição. As campanhas de Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), afirmou, não parecem dispostas a detalhar essas medidas, embora todos os candidatos tenham tentado apontar nessa direção.

Crédito e atividade econômica

O CEO também relacionou os juros elevados por longo período às dificuldades enfrentadas por empresas, que usam parte da receita para pagar despesas financeiras e têm menos espaço para investir. Na avaliação dele, negócios com baixa margem de lucratividade podem deixar de ser rentáveis com a desaceleração da atividade econômica, e o setor de varejo tem sofrido com esse cenário.

Sobre os FIDCs, Funchal afirmou que os fundos de crédito e essa modalidade cresceram após a saída líquida de R$ 1 trilhão de fundos multimercado e de ações. Ele defendeu avanços em controle e fiscalização, mas ressaltou a importância dos FIDCs como fonte de financiamento para pequenas empresas e agricultores.

Funchal ingressou na Bradesco Asset Management como CEO em maio de 2022. Também foi secretário da Fazenda do Espírito Santo, economista pela Universidade Federal Fluminense, doutor em Economia pela FGV e fez pós-doutorado pelo Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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