Documentos da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) indicam que o senador Flávio Bolsonaro negociou diretamente com Daniel Vorcaro investimentos para o filme “Dark Horse”, sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. O material também aponta que Eduardo Bolsonaro participava da gestão dos recursos obtidos para a produção.
As informações foram divulgadas depois que o Supremo Tribunal Federal (STF) retirou o sigilo de documentos relacionados ao caso Master. Na noite de quinta-feira (10), o presidente do STF, Edson Fachin, determinou a publicidade do material. A medida foi cumprida pelo relator do processo, ministro André Mendonça.
Negociações e valores
Segundo a investigação, Flávio trocou mensagens com Vorcaro e pessoas ligadas a ele, reuniu-se presencialmente com o ex-banqueiro e fez cobranças para que houvesse aportes no filme. Um relatório da PF afirma que o senador aparece como interlocutor direto nas tratativas, com participação em reuniões, pagamentos e no acompanhamento das gravações.
O material aponta que Flávio negociou o repasse de pelo menos US$ 24 milhões para a produção. Desse total, ao menos US$ 12,3 milhões teriam sido pagos. Os valores correspondem, respectivamente, a aproximadamente R$ 122,7 milhões e R$ 62,9 milhões.
A PF também afirma que mensagens indicam a atuação de Eduardo Bolsonaro na definição de como os recursos poderiam ser administrados nos Estados Unidos. A gestão seria feita por meio do fundo Havengate, ligado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo. A investigação busca esclarecer a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores.
Operação e manifestação
A Procuradoria-Geral da República endossou as conclusões e pediu ainda um levantamento de propostas legislativas apresentadas por Flávio Bolsonaro e pelo deputado Mário Frias (PL-SP) que possam ter beneficiado Vorcaro ou o Banco Master.
A PF realizou uma operação sobre o filme, autorizada pelo ministro Flávio Dino. A apuração investiga possível desvio de R$ 750 mil e uso de verba pública. Entre os alvos está Mário Frias, que teria enviado R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama, também proprietária da Go Up Entertainment, produtora do longa.
Flávio pediu o fim do sigilo sobre os documentos e afirmou: “Para mim, a melhor coisa que pode acontecer é a transparência total sobre esse assunto”. Na quinta-feira, chamou a operação de “fajuta”.


