SÃO PAULO — A terceira rodada do Desenrola será estruturada por meio de um leilão de carteiras de crédito, em vez de negociações individuais entre cada devedor e seu banco. O governo federal estima alcançar R$ 150 bilhões em dívidas de pessoas físicas, metade dos R$ 300 bilhões calculados para as modalidades incluídas no programa.
O anúncio foi feito nesta sexta-feira (25), durante um evento em São Paulo. A medida provisória autoriza a União a adquirir e reestruturar débitos com atraso de 2 a 4,5 anos. Serão consideradas operações de até R$ 10 mil, conforme informou o ministro do Planejamento, Bruno Moretti.
Compra com desconto
A proposta prevê que o governo compre das instituições financeiras as carteiras de cartão de crédito parcelado e rotativo e de crédito pessoal sem consignação em folha. O deságio previsto é de 90%. Com esse desconto, a estimativa é desembolsar R$ 15 bilhões para adquirir R$ 150 bilhões em dívidas.
As instituições deverão declarar interesse em vender suas carteiras. Vencerá a que oferecer o maior desconto, e os abatimentos obtidos nos leilões serão repassados às famílias. Moretti disse que a operação permitirá “limpar dessa carteira 150 bilhões em dívida” para que essas famílias possam recomeçar.
A previsão é realizar o leilão em novembro. A operação poderá ser conduzida pelo Tesouro Nacional ou por uma instituição financeira federal.
Regras e orçamento
Moretti afirmou que as despesas necessárias serão acomodadas no orçamento de 2027 por meio de remanejamento entre despesas, sem aumento da despesa global. A medida também prevê que o Banco Central adote regras para evitar excessos e abusos na concessão de crédito às famílias e reduzir o risco de novo endividamento.
A rodada anterior do Desenrola incluía dívidas de cartão, cheque especial e crédito pessoal com atraso de 90 dias a dois anos. Naquela modalidade, a renegociação ocorria diretamente entre os devedores e as instituições financeiras.
Participaram do anúncio o presidente Lula e os ministros Dario Durigan, da Fazenda; Bruno Moretti, do Planejamento e Orçamento; Miriam Belchior, da Casa Civil; Wellington César, da Justiça; e Alexandre Padilha, da Saúde.


