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Internacional

Acnur registra retorno de 6 milhões de afegãos em menos de três anos

Deportações do Paquistão e do Irã levam famílias sem moradia e renda de volta a um Afeganistão em crise humanitária.

Acnur registra retorno de 6 milhões de afegãos em menos de três anos

O retorno de milhões de afegãos ao país de origem ocorre em meio à falta de moradia, renda e assistência. Em menos de três anos, 6 milhões de pessoas voltaram ao Afeganistão, segundo Charlie Goodlake, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). O organismo considera esse o maior movimento de retorno entre fronteiras registrado na história recente.

Neste ano, mais de 1 milhão de pessoas foram obrigadas a deixar o Paquistão e o Irã. Os dois países endureceram as medidas contra afegãos sem documentação, mas a ONU e organizações de direitos humanos afirmam que as operações também atingem pessoas com registro oficial. O Paquistão declarou que nem mesmo os afegãos com cartões de registro estão isentos.

Famílias chegam sem vínculos com o país

Na passagem de Torkham, conhecida como Ponto Zero, abrigos de lona e plástico recebem recém-chegados por algumas noites. As estruturas foram instaladas pela Organização das Nações Unidas (ONU) e por outras entidades humanitárias. Muitos retornados não pisavam no Afeganistão havia décadas; alguns nunca estiveram no país.

Nazia, que deixou o Paquistão acompanhada de dois filhos, afirmou que nunca havia estado no Afeganistão e que muitas pessoas no local não tinham pão suficiente para comer. Oito irmãs e os filhos delas também foram deportados neste ano do Paquistão ou do Irã.

Sarwar deixou o Afeganistão 45 anos atrás, durante a invasão soviética. A maior parte dos irmãos nasceu no Paquistão. Ele chegou a Torkham com sete irmãos e suas famílias, em um grupo de 40 pessoas que transportou os pertences em um caminhão paquistanês. As famílias ouvidas relataram preconceito e assédio por parte de autoridades paquistanesas.

O Ministério das Relações Exteriores do Paquistão afirmou que o governo adota medidas para evitar assédio ou maus-tratos contra afegãos e classificou eventuais episódios como casos isolados, tratados de acordo com a lei.

Expulsões e riscos para mulheres

Paquistão e Irã dizem que os afegãos já deveriam ter retornado e associam parte deles a ameaças à segurança ou a custos para os países de acolhimento. No Paquistão, as expulsões e as denúncias de abusos se intensificaram depois da escalada nos confrontos com o Afeganistão em outubro do ano passado. Em fevereiro, a Human Rights Watch denunciou operações de porta em porta, buscas noturnas e prisões sem mandado.

No Irã, que afirmou no ano passado abrigar mais de 4 milhões de afegãos sem documentação, as deportações em massa ganharam força após a guerra de 12 dias contra Israel e os Estados Unidos, em junho de 2025. O Centro de Direitos Humanos no Irã acusou as autoridades de tratar imigrantes afegãos como possíveis espiões de Israel.

O Acnur defende que qualquer retorno seja voluntário, seguro e digno. O Paquistão confirmou que 16 mil afegãos em situação de vulnerabilidade receberam uma isenção temporária da deportação por razões humanitárias. Ainda assim, estimativas indicam que até 250 mil afegãos no país permanecem sob risco de sofrer danos graves. Entre eles estão mulheres e meninas que não teriam acesso à educação caso fossem enviadas de volta.

Em Torkham, Zarina, de 40 anos, disse não ter recursos para abrir um negócio ou sequer uma barraca. Ela teme pelo futuro das meninas em um país onde o Talebã as excluiu de grande parte da vida pública, incluindo o ensino médio e as universidades.

Crise humanitária e isolamento

Um ex-segurança afegão deportado primeiro do Irã e depois do Paquistão afirmou que vive escondido com a mulher e os filhos. Ele não confia na anistia anunciada pelo Talebã após a retomada do poder, em agosto de 2021, porque colegas foram mortos. O caso havia sido registrado na ONU, mas ele foi deportado antes de ser transferido para um país mais seguro.

Os cortes na ajuda internacional agravam as dificuldades. A ONU estima que 21,9 milhões de pessoas, quase metade da população do Afeganistão, precisarão de assistência para sobreviver neste ano. Na semana passada, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) informou que 1 milhão de crianças enfrentavam desnutrição que ameaça suas vidas.

O ministro das Relações Exteriores do Talebã, Amir Khan Muttaqi, reconheceu a necessidade de ajuda e disse que o retorno pressiona o país, embora possa ser benéfico no longo prazo. O governo sustenta que a educação das meninas é um assunto interno.

As restrições impostas a mulheres e meninas dificultam a obtenção de apoio internacional. Cinco anos depois da volta do Talebã ao poder, apenas a Rússia reconheceu formalmente o governo. Muttaqi destacou relações diplomáticas e econômicas com China, Índia e países da Ásia Central, enquanto questionou os resultados do afastamento em relação aos países ocidentais.

Goodlake afirmou que nenhum país conseguiria enfrentar sozinho uma crise dessa dimensão. Para as famílias que chegam ao Ponto Zero, o retorno representa a necessidade de reconstruir a vida praticamente do zero.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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