O batom vermelho não precisa deixar de fazer parte da imagem profissional de quem o usa há anos. A recomendação é avaliar como o produto faz a pessoa se sentir e, se houver incômodo, testar mudanças de tom, textura e intensidade antes de abandonar o hábito.
A associação entre lábios vermelhos e autoridade é antiga. Desde 3.500 a.C., quando a rainha Puabi, da Mesopotâmia, usou uma mistura de chumbo branco e pedras vermelhas trituradas, a cor passou a ser relacionada a poder político, sexual ou sobrenatural. Ao longo do tempo, o batom vermelho também foi adotado por Cleópatra, Elizabeth I, Elizabeth Cady Stanton, Marilyn Monroe, Diana Vreeland e Carolyn Bessette Kennedy.
Para Rachel Felder, autora de “Red Lipstick: An Ode to a Beauty Icon”, o produto comunica “poder, segurança, autoridade, convicção”. No ambiente de trabalho, especialmente com acabamento matte, o vermelho pode reforçar a presença profissional e funcionar como uma espécie de uniforme visual.
Como atualizar o vermelho
Felder afirma que não é necessário abandonar um cosmético que se tornou parte da marca pessoal. Ainda assim, itens usados durante muitos anos podem começar a parecer automáticos, e mudanças na pele, nos dentes, no cabelo e nas preferências de vestuário podem influenciar a escolha da maquiagem.
Bobbi Brown, fundadora de uma marca de cosméticos que leva seu nome e da Jones Road, sugere começar com uma pergunta diante do espelho: “Como isso me faz sentir?”. Se o batom ainda transmitir uma sensação autêntica, não haveria motivo para deixá-lo de lado. Caso provoque tédio, insegurança ou sensação de repetição, pode ser hora de rever a escolha.
Uma alternativa é trocar o carmesim intenso por um vermelho mais discreto, puxado para o bordô, ou por um balm com cor e cobertura translúcida em tons de rubi ou escarlate. Felder também observa que, à medida que os dentes amarelam, vermelhos de fundo azulado podem favorecer mais do que os alaranjados.
Outra possibilidade é aplicar apenas uma camada fina, em vez de várias. Também é possível passar balm transparente ou vaselina sob o batom habitual para suavizar o efeito, ou experimentar um cor-de-rosa e um vermelho translúcido com efeito de tint. A mudança, portanto, não precisa representar uma despedida: pode ser apenas a inclusão de novas versões de um elemento já ligado à identidade profissional.


