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Internacional

Afeganistão recebe seis milhões de retornados em meio a crise humanitária

Deportações do Paquistão e do Irã pressionam o Afeganistão, onde milhões precisam de ajuda e mulheres e meninas enfrentam restrições do Talibã.

Afeganistão recebe seis milhões de retornados em meio a crise humanitária

O Afeganistão recebeu seis milhões de pessoas nos últimos três anos, em um dos maiores deslocamentos entre fronteiras já registrados. O retorno ocorre depois que Paquistão e Irã endureceram as medidas contra afegãos sem documentação, enquanto organizações humanitárias afirmam que as operações também atingem pessoas com registro oficial.

De acordo com o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), mais de um milhão de pessoas foram obrigadas a voltar neste ano dos dois países vizinhos. O número inclui famílias que viveram por décadas no exterior e pessoas nascidas no Paquistão ou no Irã que nunca haviam estado no Afeganistão.

Na passagem de Torkham, conhecida como Ponto Zero, os recém-chegados encontram abrigos de lona e plástico montados pela Organização das Nações Unidas (ONU) e por organizações humanitárias. Muitos chegam sem moradia, recursos ou perspectivas de trabalho. Nazia, de 35 anos, nasceu no Paquistão e cruzou a fronteira com dois filhos. “Mas nunca estive no Afeganistão, e muita gente aqui não tem nem pão suficiente para comer”, afirmou.

A família dela está entre as que foram deportadas neste ano. Oito irmãs e seus filhos deixaram o Paquistão ou o Irã. Sarwar, que saiu do Afeganistão há 45 anos, chegou com sete irmãos e suas famílias, em um grupo de 40 pessoas. Ele relatou ter deixado no Paquistão uma casa onde viveu por muito tempo e disse também ter sofrido assédio policial.

O Ministério das Relações Exteriores do Paquistão afirmou que o governo adota medidas para evitar maus-tratos contra afegãos e que eventuais episódios são casos isolados, tratados conforme a lei. Paquistão e Irã sustentam que os afegãos deveriam retornar e acusam parte deles de representar ameaça à segurança ou gerar custos para os países que os acolhem.

As expulsões paquistanesas e as denúncias de abusos aumentaram depois da escalada dos confrontos entre Paquistão e Afeganistão em outubro do ano passado. A Human Rights Watch denunciou operações de porta em porta, buscas durante a madrugada e prisões sem mandado. No Irã, que afirmou abrigar mais de quatro milhões de afegãos sem documentação, as deportações em massa se intensificaram após a guerra de 12 dias contra Israel e os Estados Unidos, em junho de 2025.

Pressão sobre o Afeganistão

O Acnur defende que qualquer retorno seja voluntário, seguro e digno. Em Torkham, Zarina, de 40 anos, disse não ter dinheiro para abrir um negócio nem sequer uma barraca para morar. Ela teme especialmente o futuro das mulheres e meninas em um país onde o Talibã as excluiu de grande parte da vida pública, incluindo o ensino médio e as universidades.

Também há preocupação entre ex-integrantes do governo anterior e das forças de segurança. Um ex-segurança afegão deportado primeiro do Irã e depois do Paquistão afirmou que não deixa a casa onde está abrigado e não confia na anistia anunciada pelo Talibã após a retomada do poder. Segundo ele, colegas foram mortos e seu caso havia sido registrado na ONU antes da deportação.

A crise é agravada pelos cortes na ajuda internacional e pelas sanções relacionadas ao terrorismo e aos direitos humanos que continuam atingindo o Talibã. O Paquistão confirmou que 16 mil afegãos em situação de vulnerabilidade receberam uma isenção temporária da deportação por razões humanitárias. Ainda assim, fontes estimam que até 250 mil afegãos no país permanecem sob risco de sofrer danos graves, entre eles mulheres e meninas que poderiam ficar sem acesso à educação.

A ONU estima que 21,9 milhões de pessoas, quase metade da população afegã, precisarão de ajuda para sobreviver neste ano. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) afirmou que um milhão de crianças enfrentavam um quadro de desnutrição que ameaça suas vidas.

O ministro das Relações Exteriores do Talibã, Amir Khan Muttaqi, reconheceu a necessidade de ajuda e disse que o retorno exerce pressão sobre o país. Ele afirmou, porém, que, no longo prazo, a volta dos afegãos será benéfica para eles e para o Afeganistão.

Muttaqi também classificou a educação das meninas como um assunto interno. As restrições impostas a mulheres e meninas são apontadas como um dos principais obstáculos à relação do Talibã com outros países. Cinco anos depois da volta do grupo ao poder, apenas a Rússia reconheceu formalmente o governo.

Enquanto as autoridades afegãs destacam relações diplomáticas e econômicas com China, Índia e países da Ásia Central, as famílias que chegam a Torkham enfrentam a tarefa imediata de reconstruir a vida sem casa, renda ou segurança.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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