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Internacional

Al Qaeda mantém presença no Afeganistão sob o governo do Talibã

Dezenas de integrantes da Al Qaeda permanecem no país, enquanto outros grupos armados atuam em território afegão.

Al Qaeda mantém presença no Afeganistão sob o governo do Talibã
Foto: The New York Times

Vinte e cinco anos depois de Osama bin Laden planejar os ataques de 11 de setembro de 2001 a partir do Afeganistão, a Al Qaeda ainda mantém integrantes no país sob o governo do Talibã. O grupo islâmico reassumiu o poder e tenta apresentar uma imagem mais moderna, mas continua convivendo com organizações armadas extremistas em seu território.

O Talibã afirma que não permitirá que outro grande ataque seja preparado em solo afegão, em linha com compromissos assumidos em 2020 durante as negociações de paz com a Casa Branca. O ministro das Relações Exteriores do Afeganistão, Amir Khan Muttaqi, declarou em entrevista em Cabul: "Consideramos encerrado o capítulo da guerra".

A Casa Branca, a União Europeia e a maioria dos demais governos ainda não demonstram confiança no grupo. As promessas atuais de segurança também são comparadas às feitas pelo mulá Mohammad Omar antes dos ataques de 11 de setembro, quando afirmou que Bin Laden não agia contra outros países a partir do território afegão.

Grupos armados e falta de informações

A Al Qaeda tem apenas algumas dezenas de integrantes no Afeganistão, conforme estimativas da Organização das Nações Unidas e de especialistas em segurança. Alguns vivem livremente em Cabul. Documentos nacionais de identidade foram emitidos pelas autoridades afegãs para líderes do braço sul-asiático da organização, segundo o grupo de especialistas da ONU que monitora redes terroristas.

Especialistas das Nações Unidas estimam que entre 15 mil e 20 mil terroristas estejam distribuídos por cerca de 20 grupos no país. Moscou considera que o número pode chegar a 23 mil. Milhares de integrantes do Estado Islâmico circulam pelas áreas de fronteira entre o Afeganistão e o Paquistão.

O maior desses grupos é o Tehrik-e-Taliban Pakistan, conhecido como Talibã paquistanês ou TTP. Seus integrantes atravessam a fronteira para atacar forças de segurança do Paquistão. Especialistas e autoridades atribuem ao ambiente proporcionado pelo Talibã afegão desde 2021 o aumento dos ataques em território paquistanês.

A presença de grupos armados ocorre em um cenário de baixa visibilidade para serviços de segurança e diplomatas. Autoridades reconhecem que não têm um quadro completo do que acontece dentro de Cabul. Estados Unidos, China, Rússia e Nações Unidas afirmam que organizações extremistas continuam encontrando abrigo no Afeganistão.

A ameaça é considerada menor e menos visível do que nos anos anteriores ao 11 de Setembro, quando havia até 30 mil terroristas e combatentes no país. Ainda assim, a Al Qaeda e o Estado Islâmico mantêm ideologias de alcance global, embora a maioria dos analistas avalie que o risco atual esteja concentrado sobretudo na região.

Relação com o Estado Islâmico e a Al Qaeda

O Talibã declara trabalhar com serviços de inteligência estrangeiros contra a filial afegã do Estado Islâmico. Uma autoridade graduada da inteligência afegã chamou essa cooperação de "diplomacia de inteligência". Os grupos são rivais porque o Estado Islâmico considera o Talibã um desertor, por tolerar minorias religiosas e buscar aproximação internacional.

A filial do Estado Islâmico reivindicou o ataque ocorrido nos arredores do aeroporto de Cabul durante a retirada americana, em agosto de 2021. A ação matou 13 militares dos Estados Unidos e mais de 170 civis afegãos. O grupo também atacou comunidades xiitas e reivindicou atentados neste ano em Cabul e Islamabad.

O Talibã enviou forças especiais para áreas controladas pelo Estado Islâmico, segundo Antonio Giustozzi, pesquisador do Royal United Services Institute. Especialistas e autoridades de segurança afirmam que a filial perdeu capacidade para realizar um ataque de grande escala. Sergei Shoigu, ex-ministro da Defesa da Rússia e secretário do Conselho de Segurança do país, disse neste ano que Cabul trava uma luta armada contra o grupo.

A relação com a Al Qaeda é diferente. Autoridades americanas de combate ao terrorismo descrevem o Afeganistão como um local de permanência para integrantes graduados da organização e consideram a ameaça a partir do país a menor em décadas. A organização manteve apoio ao Talibã durante os 20 anos de insurgência, e o Talibã não rompeu com ela após voltar ao poder.

Algumas dezenas de integrantes da Al Qaeda permanecem em Cabul e na fronteira com o Paquistão, onde treinam o Talibã paquistanês, segundo o grupo da ONU que monitora redes terroristas. Ayman al-Zawahri, sucessor de Bin Laden, morreu em 2022 em um ataque de drone dos Estados Unidos enquanto estava na varanda de sua casa, em Cabul.

Em abril, a Al Qaeda declarou apoio ao Talibã paquistanês e renovou seu respaldo ao regime de Cabul, classificando o grupo como um modelo contemporâneo. Para Antonio Giustozzi, esse apoio oferece à organização tempo e espaço no Afeganistão.

Pressão regional e resistência interna

A atuação do Talibã paquistanês provocou resposta militar do Paquistão, que realizou neste ano dezenas de ataques aéreos contra estruturas de segurança e instalações civis afegãs, inclusive em Cabul. Uma autoridade da inteligência paquistanesa afirmou que a liderança do país concluiu que sua segurança interna não melhoraria enquanto a questão do Talibã não fosse resolvida.

Nos últimos meses, autoridades talibãs passaram a demonstrar preocupação com uma possível tentativa de mudança de regime apoiada pelo Paquistão. Três grupos de resistência, liderados por ex-integrantes das forças militares afegãs apoiadas por Washington, reivindicaram mais de 50 ataques contra autoridades, postos de controle e edifícios do Talibã desde julho.

Os ataques ainda não ameaçam derrubar o regime, mas ao menos duas autoridades locais foram mortas por forças contrárias ao Talibã nas últimas semanas. A atividade dos grupos armados mantém aberta a possibilidade de novos confrontos no país, apesar da redução da guerra e da menor frequência de tiroteios nas cidades afegãs.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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