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Internacional

Anistia denuncia recrutamento de estrangeiros para a guerra da Ucrânia

Organização afirma que falsas ofertas de emprego e coerção levaram cidadãos de vários países a assinar contratos militares com a Rússia.

Anistia denuncia recrutamento de estrangeiros para a guerra da Ucrânia
Foto: AP/Dmitri Lovetsky

A Anistia Internacional denunciou que a Rússia atrai estrangeiros com ofertas de emprego que não existem ou não correspondem ao trabalho anunciado e, depois, os encaminha para combater na guerra contra a Ucrânia. A organização ouviu prisioneiros de guerra que relataram ter assinado contratos militares após chegar ao país.

Entre os cidadãos citados estão brasileiros, colombianos, cubanos, sul-africanos e pessoas do Sri Lanka. A organização afirma que alguns foram convencidos a viajar para a Rússia com promessas de trabalho e acabaram pressionados a ingressar nas Forças Armadas russas.

A secretária-geral da Anistia Internacional, Agnès Callamard, disse que o recrutamento atinge pessoas em situação de vulnerabilidade. Segundo ela, a Rússia procura principalmente homens com menos de 40 anos em países mais pobres e oferece a perspectiva de um emprego.

Os recrutadores também abordariam estrangeiros em situação irregular na Rússia. Em troca do alistamento, eles receberiam promessas de autorização de residência ou cidadania russa. Um caminhoneiro da África do Sul, segundo o relatório, foi chamado a Moscou para trabalhar como motorista e teve seus pertences confiscados depois de chegar.

A organização afirma que os estrangeiros são obrigados a assinar documentos que não compreendem, passam por treinamentos básicos e enfrentam dificuldades para conversar com superiores por causa da barreira linguística. Callamard resumiu a situação dizendo que essas pessoas são “bucha de canhão”.

A Anistia classifica os casos como possível tráfico de pessoas. A definição das Nações Unidas inclui recrutamento, transporte ou alojamento obtidos por fraude, engano ou abuso de poder com objetivo de exploração. Callamard pediu que a Ucrânia e os governos dos países atingidos reúnam provas para que os responsáveis sejam processados.

Estrangeiros nos dois Exércitos

Rússia e Ucrânia recrutam estrangeiros desde o início da invasão russa da Ucrânia, há quatro anos e meio. Em abril, autoridades ucranianas estimaram que mais de 28 mil estrangeiros de 136 países combatiam nas Forças Armadas russas. O cálculo não incluía cerca de 14 mil soldados norte-coreanos que participaram dos combates contra as forças de Kiev na região russa de Kursk, em 2024.

A Ucrânia também recruta estrangeiros, mas a Anistia disse não ter entrevistado combatentes mantidos presos na Rússia porque foi classificada por Moscou como “agente estrangeiro”. Nenhum dos dois países divulgou o total de estrangeiros que lutam em suas Forças Armadas.

As autoridades russas não haviam se pronunciado publicamente sobre as acusações. Moscou já rejeitou anteriormente alegações de que obrigaria estrangeiros a se alistar.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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