O Anthropic Institute, centro de estudos dirigido por Jack Clark, cofundador da Anthropic, publicou um relatório com cenários para o crescimento econômico, os salários e o desemprego nos Estados Unidos até 2030. No cenário de maior impacto da inteligência artificial, o PIB poderia crescer 15,4% em 2030, ante 2% em uma hipótese sem IA.
O mesmo cenário estima que o desemprego entre trabalhadores do conhecimento poderia chegar a 17,9%. Clark afirmou que o estudo foi elaborado para apresentar ao público premissas às quais os laboratórios de inteligência artificial têm acesso e reunir diferentes possibilidades para o futuro da economia.
Cenários extremos e emprego
Segundo Clark, as hipóteses menos drásticas indicam efeitos mais limitados sobre o emprego. O cenário de maior impacto considera a possibilidade de mudanças de fase nas capacidades dos sistemas de IA, capazes de alterar rapidamente a adoção da tecnologia.
Ele citou mudanças percebidas na programação, em 2025, e na segurança cibernética, em 2026. Na avaliação do cofundador, em situações de avanço significativo, os sistemas deixariam de melhorar apenas tarefas isoladas e passariam a executar conjuntos amplos de atividades que podem representar grande parte de um emprego.
O relatório também considera que a tecnologia pode favorecer o crescimento de empresas competitivas com poucos funcionários e forte peso das despesas operacionais. Clark mencionou a Stripe e outras empresas como exemplos de organizações que estariam observando esse movimento.
Ainda assim, ele afirmou que os efeitos sobre o emprego demoram a aparecer. Mudanças na contratação costumam ocorrer junto de alterações macroeconômicas mais amplas, como recessões. Por isso, segundo Clark, ainda não é possível determinar com clareza como a IA está afetando o mercado de trabalho.
Limites para os ganhos de produtividade
A análise também aborda a possibilidade de a IA acelerar a elaboração de projetos e licenças para infraestrutura física, permitindo mais construções. Clark reconheceu, porém, que políticas públicas, regulamentação e outros fatores podem limitar a aplicação prática desses ganhos.
Ele afirmou que o mesmo vale para áreas como biotecnologia: mesmo que a IA consiga automatizar etapas de ensaios clínicos, a concretização desses avanços dependerá de decisões públicas e de outros obstáculos.
Clark ressaltou que o relatório não apresenta previsões. Trata-se de um modelo que reúne diferentes visões sobre os efeitos econômicos da tecnologia, desde uma evolução mais convencional até cenários em que avanços muito expressivos transformariam a economia.
Ao discutir um crescimento anual de 15% em 2030, ele afirmou que uma expansão desse porte pressuporia a criação de setores inteiramente novos. Ben Bernanke, integrante do Long-Term Benefit Trust, da Anthropic, resumiu essa condição da seguinte forma: “Se você quiser superar um crescimento de 5% do PIB, precisará criar setores inteiramente novos”.
Para Clark, esses novos setores poderiam criar produtos e serviços inéditos, além de alterar a maneira como a economia funciona. O modelo, contudo, não determina como seria a distribuição desses ganhos nem como a demanda se comportaria em um cenário de desemprego elevado.


