HALLE — Hans-Thomas Tillschneider deixou a entrada de uma sinagoga nesta sexta-feira (9), depois que um grupo de estudantes judeus bloqueou sua passagem. Ele havia ido ao local para participar de uma homenagem às vítimas do ataque ocorrido durante o Yom Kippur, em 2019.
Tillschneider foi eleito vice-presidente do Parlamento de Saxônia-Anhalt na última terça-feira. Também é apontado como ideólogo da AfD, a Alternativa para a Alemanha, partido classificado pelos serviços de segurança do país como de extrema direita. A legenda tem integrantes investigados por discurso de ódio e neonazismo, inclusive no estado.
Ron Dekel, presidente da União dos Estudantes Judeus da Alemanha, afirmou que os manifestantes se reuniram para evitar que a cerimônia fosse apropriada por extremistas de direita. Tillschneider disse ter sido “impedido de forma grosseira”. Em uma publicação no X, escreveu que estudantes o insultaram como nazista e impediram sua entrada.
O ataque lembrado na cerimônia matou duas pessoas e deixou várias feridas. O agressor foi condenado à prisão perpétua e era um extremista de direita. Tillschneider declarou que nunca se pronunciou contra a vida judaica e afirmou que deixou o local porque as autoridades de Halle e a polícia não intervieram.
A eleição de Tillschneider ocorreu no mesmo processo que levou Tobias Rausch à presidência do Parlamento estadual. Rausch se tornou o primeiro presidente de um Parlamento alemão pertencente a um partido de extrema direita desde a Segunda Guerra Mundial. Ele recebeu quatro votos a mais do que o esperado, e a direção da CDU, partido do premiê Friedrich Merz, avalia punir integrantes que teriam apoiado o candidato, contrariando uma resolução contra a colaboração com a AfD.
Tillschneider participou da elaboração do programa de governo mais radical já produzido pela AfD na Alemanha, com propostas de intervenção na educação e na cultura, restrição de direitos sociais de minorias e imigrantes, rejeição de medidas relacionadas à mudança climática e reaproximação com a Rússia.
No mesmo dia, a BMW retirou uma oferta de leasing para fornecer carros oficiais ao Parlamento de Saxônia-Anhalt. Rausch afirmou, em carta à montadora, que ficou decepcionado. A empresa informou que não comenta relacionamentos com clientes.


