PIRACICABA — A falta de informações sobre o percurso e sobre pontos de hidratação e banheiros foi relatada por atletas antes da suspensão da Maratona Internacional de Piracicaba. A prova foi interrompida pela prefeitura pouco antes da largada, no último dia 30 de agosto.
A educadora física Verônica Fraga, que assessorava dez alunos inscritos, afirmou que a organização já apresentava problemas durante a preparação do evento. Segundo ela, o site de inscrições não informava o trajeto, e as mensagens enviadas em busca de esclarecimentos não eram respondidas.
Jaqueline Martins Cipriano participaria da maratona e disse que a suspensão afetou seu planejamento para a próxima prova. Ela também afirmou que amigos que fariam sua estreia na maratona e na meia maratona ficaram decepcionados. “É uma frustração”, declarou.
William Cordeiro, outro participante, comparou a operação de trânsito com a de outras corridas. De acordo com ele, normalmente as vias já estão fechadas uma hora antes da largada, o que não teria ocorrido em Piracicaba.
Falhas apontadas pela prefeitura
A Secretaria de Esportes, Lazer e Atividades Motoras informou que análises técnicas identificaram riscos de acidentes no percurso. Entre os problemas citados estavam deficiências na implantação das interdições, falta de sinalização e de dispositivos de canalização em pontos previstos, além da ausência de equipes de apoio ao longo do trajeto.
A pasta disse que a organização foi comunicada sobre as providências necessárias, mas as falhas não foram corrigidas. A prefeitura afirmou que corridas promovidas por empresas ou entidades privadas são responsabilidade das organizadoras, enquanto o poder público atua na análise, autorização e apoio institucional ou operacional.
A competição havia começado no sábado (29), com uma corrida infantil e provas de cinco e dez quilômetros. No dia seguinte, estavam previstas as etapas de 21 e 42 quilômetros, ambas suspensas. Ao todo, atletas de quatro países e 190 cidades estavam confirmados.
Organizadores avaliam nova data
A Grécia Produções e Eventos informou que negocia a possibilidade de marcar uma nova data. Depois dessa definição, serão estabelecidos os procedimentos sobre inscrições e eventuais devoluções. A empresa declarou que divulgou informações por meio de faixas e materiais de sinalização instalados nas vias.
A organizadora também afirmou que o fechamento das vias havia sido autorizado pelo órgão competente de trânsito para ocorrer 30 minutos antes da largada, às 3h30. Segundo a empresa, corridas podem adotar vias compartilhadas entre atletas e veículos ou interdições exclusivas para os participantes, com o uso de cones, cavaletes, grades e faixas.
A Federação Paulista de Atletismo afirmou que a organização técnica da competição estava alinhada às práticas de corridas de rua realizadas no estado de São Paulo. A entidade disse que contatou a empresa e que também procuraria a Prefeitura Municipal de Piracicaba para apurar as razões administrativas e técnicas do embargo e prestar suporte à solução do caso.


