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Internacional

Brasileiros apontam aliciamento por aplicativos e violência na Alemanha

Cinco brasileiros dizem ter sido atraídos por um alemão, submetidos a trabalho sem pagamento e ameaçados após viagens à Alemanha.

Brasileiros apontam aliciamento por aplicativos e violência na Alemanha
Foto: Reuters

Cinco brasileiros afirmam ter sido atraídos por um alemão por meio de aplicativos de relacionamento e submetidos, na Alemanha, a trabalho sem pagamento, violência e ameaças. A advogada Delaine Kühn, que atua no país, diz ter recebido pedidos de ajuda de mais de cinco pessoas desde 2021. Segundo os relatos, a prática ocorreria há pelo menos oito anos e envolveria o mesmo suspeito.

Convites e documentos

Os homens dizem ter conhecido o alemão no Romeo, Grindr ou Tinder. O suspeito colocaria a localização no Brasil, inclusive em Rio de Janeiro, Salvador, Fortaleza e Natal, e iniciaria conversas afetuosas. Depois, pediria fotos íntimas e imagens de familiares e amigos, que seriam usadas, segundo as vítimas, em ameaças e chantagens.

O convite para a Alemanha seria acompanhado de passagem, apólice de seguro e carta-convite. O documento informaria às autoridades migratórias que o alemão se responsabilizaria pela estadia dos convidados. Foram localizadas oito cartas enviadas a brasileiros entre 2018 e 2025.

Os brasileiros relatam que, depois da chegada, eram obrigados a trabalhar sem salário na empresa do suspeito e sofriam violência física, sexual e psicológica. Há também alegações de ameaças de morte e tentativas de homicídio.

Relatos das vítimas

Fernando*, de 34 anos, conheceu o homem durante uma viagem pelo Nordeste. Sem emprego e renda no contexto da pandemia, aceitou viajar após menos de uma semana de conversas. Ele afirma que foi acordado de madrugada, no frio, para trabalhar em um estabelecimento industrial do suspeito. Também relata relações sexuais não consentidas, ameaças e tentativas de fuga.

Depois de correr até a casa de vizinhos, Fernando voltou ao imóvel com a polícia, recuperou o passaporte e seguiu para uma estação de trem. O suspeito teria exigido 1,5 mil euros. Fernando viajou para outro país europeu e retornou ao Brasil com ajuda de amigos.

Alceu*, de 35 anos, diz ter conhecido o alemão pelo Tinder e recebido promessas de felicidade e trabalho. Na Alemanha, afirma ter sido colocado no frio e na neve, deixado em uma casa sem comida, agredido e obrigado a manter relações sexuais não consentidas. Em uma viagem para outro país, relata que o suspeito tentou atropelá-lo.

Alceu procurou a Polícia Federal e a advogada Delaine Kühn. Ele também afirma ter recebido mensagens de pessoas que encontraram fotos suas no computador do alemão. Pelo menos três homens relatam que imagens íntimas foram enviadas a grupos de família e trabalho. As vítimas também mencionam contas falsas em aplicativos, com informações pessoais e associação à prostituição.

Alberto*, de 37 anos, afirma ter desenvolvido ansiedade após conhecer e morar com o suspeito há cerca de oito anos. Segundo ele, o alemão usou um celular para enviar fotos íntimas a familiares e amigos.

Investigações e respostas

Há relatos de homens do Peru, da Colômbia e da Venezuela que também teriam viajado à Alemanha a convite do suspeito. Uma fonte ligada a um aeroporto no norte do país disse ter sido procurada por um panamenho com relatos semelhantes.

Algumas vítimas registraram boletins de ocorrência na Polícia Federal e na Polícia Civil. Outras afirmam ter procurado delegacias do norte da Alemanha. Delaine Kühn acompanhou um processo por lesão corporal e estupro, além de um divórcio e de um pedido de medida protetiva. Ela afirma que o acusado foi condenado em primeira instância no caso de estupro, mas acabou absolvido após recurso no ano passado.

Documentos consulares trocados entre a Secretaria de Estado das Relações Exteriores do Itamaraty e a embaixada brasileira em Berlim indicam que, desde agosto de 2025, existe um pedido de cooperação jurídica em matéria penal entre Brasil e Alemanha relacionado ao suspeito.

A Polícia Federal não confirmou nem comentou o caso. A polícia alemã informou que não poderia fornecer dados sobre investigações por razões de privacidade. A polícia da Colômbia disse que não comenta casos desse tipo. Peru e Venezuela não responderam.

O Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime afirmam, em relatório sobre tráfico de pessoas, que as redes sociais foram, no ano passado, a forma predominante de aliciamento de brasileiros para tráfico humano com fins de exploração sexual.

O Romeo informou que perfis podem ser denunciados na plataforma e que contas confirmadas como criminosas são banidas permanentemente. O Tinder disse ter identificado e banido a conta do suspeito, ampliando a restrição para outros aplicativos do Match Group. A Grindr não respondeu. O suspeito e sua advogada também não se manifestaram.

*Os nomes foram alterados para preservar os entrevistados.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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