A China afirmou que pretende preservar a trajetória de desenvolvimento das relações com o Brasil, enquanto acompanha a possibilidade de Flávio Bolsonaro vencer a eleição presidencial. O posicionamento foi apresentado pelo Ministério das Relações Exteriores chinês após questionamento sobre os efeitos que uma eventual mudança de governo poderia ter na parceria estratégica entre os dois países.
A chancelaria declarou que "a China está disposta a trabalhar com o lado brasileiro para que as relações avancem de forma estável e duradoura". Também afirmou que, nos 52 anos desde o estabelecimento das relações diplomáticas, os vínculos bilaterais mantiveram uma boa dinâmica de desenvolvimento, apesar das mudanças no cenário internacional.
A parceria estratégica global entre China e Brasil foi estabelecida em 2012, com ênfase no multilateralismo, no crescimento econômico, na ampliação do comércio bilateral e nos investimentos mútuos. O status não foi alterado durante o governo de Jair Bolsonaro, embora a relação tenha sido tensionada por declarações do ex-presidente e por episódios envolvendo integrantes de sua família e da administração.
Um desses episódios ocorreu quando Bolsonaro pediu a substituição do embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming. A solicitação veio depois de o diplomata criticar nas redes sociais Eduardo Bolsonaro, que havia atribuído ao Partido Comunista Chinês a responsabilidade pelo início da pandemia. As autoridades chinesas não atenderam ao pedido.
Flávio Bolsonaro tem sido questionado sobre sua posição em relação à China desde o início da candidatura. Em evento nesta quinta-feira (8), o senador afirmou que, se eleito, manterá relações com países de diferentes espectros. A declaração ocorreu após o Datafolha indicar 52% dos votos válidos para Flávio e 48% para Lula.
A proximidade do senador com Donald Trump é acompanhada com atenção por Pequim. Em audiência pública no USTR, no início de julho, Flávio acusou Lula de favorecer a China. Em abril, também disse que o petista tratava o Brasil como uma "colônia chinesa".
A China é o maior parceiro comercial do Brasil. Especialistas avaliam que os interesses econômicos devem continuar no centro da relação, embora iniciativas políticas, como o Brics e a cooperação na ONU, possam ser afetadas por decisões de um eventual governo de Flávio.
O posicionamento chinês ocorre após manifestações anteriores de não interferência nas eleições brasileiras. Em setembro, o porta-voz Guo Jiakun disse que a China mantém esse princípio e desejou eleições tranquilas e sem incidentes. Para Ana Tereza de Souza, da UFABC, a postura protege Pequim de interferências externas e de pressões para intervir em assuntos que não considere centrais. Maurício Santoro afirmou que a China demonstra preocupação com a proximidade de Flávio com Trump, mas tende a responder de forma pragmática.


