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Internacional

China prevê comércio preservado apesar de possível tensão com Flávio Bolsonaro

Análises chinesas projetam distância política de Brasília, mas veem continuidade nas relações comerciais em caso de vitória do senador.

China prevê comércio preservado apesar de possível tensão com Flávio Bolsonaro
Foto: Tingshu Wang/Reuters

A possibilidade de uma mudança na política externa brasileira com Flávio Bolsonaro no Planalto mobilizou acadêmicos e usuários de plataformas digitais na China. A avaliação predominante é resumida pela expressão “政冷经热”, que indica uma relação política mais fria com Pequim, mas comércio aquecido.

A leitura considera que um eventual governo do senador poderia abandonar o discurso do Sul Global e se aproximar de Washington. Ao mesmo tempo, soja e minério de ferro continuariam circulando entre Brasil e China. O professor Zhou Zhiwei, da Academia Chinesa de Ciências Sociais, escreveu antes da eleição que a relação bilateral teria estrutura para suportar uma mudança de orientação em Brasília.

Governo chinês mantém cautela

A agência estatal Xinhua informou que Flávio recebeu 47% dos votos no primeiro turno, contra 45% de Lula, e registrou a data da segunda rodada sem apresentar uma interpretação sobre o resultado. O governo chinês também evitou tomar posição pública.

O porta-voz da chancelaria, Guo Jiakun, não comentou a possibilidade de interferência dos Estados Unidos, reiterou o princípio de não interferência e desejou que a eleição transcorresse bem.

A reação foi mais intensa em plataformas como Sohu e Tencent News, que reúnem contas de autopublicação. Comentários publicados nesses espaços trataram de uma possível pressão externa, da dependência chinesa do comércio brasileiro e do uso de críticas à China como instrumento de campanha. No The Paper, jornal de Xangai, um dos comentários mais curtidos descreveu o voto brasileiro como “espelho que revela monstros”.

Minerais críticos entram no cálculo

A percepção de que a soja está protegida se apoia na avaliação de que os Estados Unidos não compram o volume produzido no Brasil. A principal incerteza estaria nas terras raras e em outros minerais críticos, áreas nas quais o capital chinês no país é recente e Washington oferece recursos concorrentes.

Outra questão envolve a escolha do ministro das Relações Exteriores em um eventual governo de Flávio. Eduardo Bolsonaro, apontado como favorito, tem histórico de conflitos com Pequim. Durante a pandemia, o então deputado comparou a situação da Covid na China ao acobertamento soviético da tragédia de Chernobyl. O então embaixador Yang Wanming exigiu um pedido público de desculpas ao povo chinês. Jair Bolsonaro teria tentado telefonar para Xi Jinping para apartar a crise, mas foi ignorado pelo líder chinês.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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