NEPAL — Lu Haitao, de 49 anos, foi resgatado no sábado (5), depois de passar 10 dias preso em um túnel de uma hidrelétrica atingida por enchentes. Ele foi retirado de uma estrutura com 225 metros de extensão e levado de helicóptero a um hospital. Seu estado era estável.
As inundações de 26 de agosto, provavelmente causadas pelo colapso de uma geleira, deixaram mais de 1.300 mortos no Nepal. Quase 4.900 pessoas continuam desaparecidas, conforme a agência de gestão de desastres do país.
No lado chinês da fronteira, no Tibete, havia 43 mortos e 519 desaparecidos até a noite de sábado. Entre os desaparecidos, 261 eram estrangeiros.
Relato do resgate
Em um áudio divulgado após o resgate, Lu contou que subiu até o ponto mais alto do túnel. Quando ouviu os apitos das equipes de resgate, pensou que poderia estar imaginando os sons. Ele também relatou a um funcionário da embaixada chinesa que gritou na direção das luzes dos socorristas, mas não foi ouvido no início.
“Quando iluminaram diante dos meus olhos, eu não conseguia acreditar”, afirmou Lu. “Eu já não gritava mais. Tinha perdido a esperança.”
A irmã dele, Lu Hairong, soube do resgate antes da divulgação pública, mas só acreditou quando viu uma foto do irmão. Casado e pai de um filho, Lu era agricultor na província de Henan, no centro da China, e fazia trabalhos extras, principalmente de carpintaria.
Ele viajou ao Nepal em fevereiro com um morador da mesma aldeia. Era a primeira vez que trabalhava no exterior. Segundo a irmã, Lu não havia informado o local exato do trabalho. Durante os dias de espera, ela acompanhou notícias em um grupo de apoio a familiares de desaparecidos e disse que tinha dificuldade para comer e dormir.
Uma prima, Lu Haiqing, soube do desaparecimento no sexto dia após as enchentes. Ela buscava informações diariamente e usava inteligência artificial para traduzir textos do nepalês para o chinês. No sábado, recebeu uma foto enviada pela irmã de Lu e pediu ajuda para confirmar a identidade dele. Depois de consultar outro familiar, teve certeza de que era o primo.
“Há esperança quando não se desiste”, afirmou Haiqing.


