NEPAL — Chandika Kumari Shrestha foi encontrada viva sob os escombros de sua casa, dias depois de a família iniciar o ritual de luto pela morte da idosa. Ela era considerada desaparecida após as enchentes que atingiram Betrawati, uma das áreas mais afetadas do Nepal.
A residência de quatro andares foi arrastada pela água e ficou cercada por areia movediça. Durante a busca, equipes que caminhavam ao redor do imóvel ouviram pedidos de socorro. “Salve-me”, teria dito Shrestha, segundo o policial Mahendra Darnal.
Darnal afirmou que a família já havia iniciado um período de luto de 11 dias. A sobrevivente estava sob uma camada de lama branca, endurecida e compactada sobre os prédios atingidos pela torrente que atravessou o vale.
O mercado de Betrawati e a maior parte dos imóveis residenciais da cidade ficaram soterrados. Equipes de resgate usavam pás para remover os escombros e rastejavam por aberturas em construções destruídas. Os socorristas também apitavam periodicamente para tentar localizar pessoas presas e vivas.
Cinco dias antes do resgate de Shrestha, 24 corpos em estado avançado de decomposição foram encontrados em um prédio que abrigava uma pequena loja, na área do mercado de Betrawati. As equipes continuavam procurando dezenas de corpos.
Buscas continuam
Onze dias após o desabamento de uma geleira que provocou as inundações, cerca de 5 mil pessoas ainda estavam desaparecidas. O desastre matou mais de 1,3 mil pessoas em todo o Nepal, enquanto centenas de corpos foram levados pelas águas para margens de rios distantes do distrito de Rasuwa.
Em Chitwan, foram realizados enterros coletivos de corpos não identificados e em avançado estado de decomposição. Desde sexta-feira, três pessoas foram retiradas de túneis, entre elas um cidadão chinês localizado perto do rio Trishuli. A área é considerada o local onde mais de 900 pessoas podem estar presas.
Outro sobrevivente foi um menino de 8 anos.


