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Internacional

Crise com o Brasil expõe mudanças de Trump no serviço diplomático americano

Demissões, indicações políticas e a disputa pelo agrément de Daniel Perez marcam a nova fase da política externa dos EUA.

Crise com o Brasil expõe mudanças de Trump no serviço diplomático americano

A disputa entre Brasil e Estados Unidos ocorre em paralelo a uma reorganização do serviço diplomático americano no segundo mandato de Donald Trump, iniciado em 20 de janeiro de 2025. A mudança combina redução do quadro do Departamento de Estado, maior presença de indicados políticos em embaixadas e uma orientação voltada a resultados imediatos para os Estados Unidos.

A American Foreign Service Association (AFSA) estima que cerca de 3 mil diplomatas, de um total de 14 mil, tenham pedido demissão, se aposentado ou sido afastados nos últimos 18 meses. A entidade afirma que profissionais com décadas de experiência estão deixando o órgão em grande escala. O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, diz que a redução faz parte de uma reestruturação e que as demissões seguiram os requisitos legais.

Menos diplomatas de carreira

Dados da AFSA até 10 de agosto mostram que Donald Trump indicou 113 pessoas para postos de embaixador. Apenas 20 são diplomatas de carreira. A proporção, inferior a 18%, é a menor da história recente dos Estados Unidos. Desde Gerald Ford, incluindo o primeiro mandato de Trump, a participação de diplomatas de carreira havia ficado em cerca de 60% ou mais.

Dos 196 postos de embaixador americanos, 97 ainda estavam sem titular confirmado. No mesmo ponto do governo de Joe Biden, que ocupou a Presidência entre 2021-2025, havia 55 postos nessa situação. Pigott afirma que encarregados de negócios experientes conduzem as missões onde não há embaixador aprovado pelo Senado.

A AFSA vê risco de politização do serviço diplomático. O Departamento de Estado afirma que a equipe está sendo alinhada ao princípio America First e que o presidente tem autoridade para escolher quem representará os interesses americanos no exterior. Em meados de agosto, o órgão também anunciou o fim de sua agenda de diversidade, equidade e inclusão.

O impasse em Brasília

A embaixada americana em Brasília está sem titular desde a saída de Elizabeth Bagley, indicada por Joe Biden. Em junho, a Casa Branca indicou Daniel Perez, deputado estadual da Flórida pelo Partido Republicano, para o posto. Ele foi aprovado pelo Senado no início de agosto, mas ainda depende do agrément do governo brasileiro.

O pedido de consentimento só foi apresentado depois que o nome de Perez havia sido divulgado e encaminhado ao Senado. Fontes diplomáticas relacionam a revogação, em agosto, do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, à demora brasileira para conceder o aval. Também mencionam a recusa de vistos a dois funcionários do Departamento de Estado que planejavam viajar ao Brasil.

O Planalto afirmou que não há prazo estabelecido na Convenção de Viena para a concessão do agrément e que o pedido continuava em análise. Também disse que os funcionários americanos pretendiam questionar a integridade do sistema eleitoral brasileiro, alegação negada pelos Estados Unidos. O governo brasileiro classificou as medidas como parte de uma escalada contra o país e apontou tentativa de interferência na próxima eleição presidencial.

Em 13 de agosto, o Brasil anunciou a abertura de processo de reciprocidade relacionado às tarifas impostas pelos Estados Unidos. Entre outras medidas recentes, Washington designou o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como organizações terroristas, aplicou novas tarifas sobre produtos brasileiros e cancelou vistos de autoridades.

Disputa por acesso ao presidente

Ricardo Zúniga, diplomata aposentado que assessorou Barack Obama no Conselho de Segurança Nacional, foi cônsul-geral em São Paulo e ocupou o cargo de primeiro subsecretário adjunto de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental durante o governo de Joe Biden. Ele afirma que nunca havia visto, em 30 anos de carreira, um caso semelhante ao procedimento adotado na indicação de Perez.

Na avaliação de Zúniga, a crise reflete a disputa entre um grupo mais pragmático e outro de orientação ideológica e alinhado à direita, liderado pelo secretário de Estado, Marco Rubio. Ele diz que integrantes responsáveis pela política para o Brasil não conhecem suficientemente o país.

A reorganização também alterou unidades do Departamento de Estado e os critérios de seleção e avaliação de funcionários. Diplomatas aposentados relatam que profissionais de carreira vêm sendo substituídos, em alguns casos, por pessoas sem experiência diplomática, mas próximas do presidente. Pigott responde que Rubio valoriza opiniões de americanos patriotas e que não aceitará o uso de cargos para contrariar os objetivos do presidente eleito.

Trump tem recorrido a pessoas de confiança em negociações sobre a Ucrânia e o Irã. Entre elas estão Jared Kushner, seu genro, e Steve Witkoff, empresário e enviado especial dos Estados Unidos ao Oriente Médio. Diplomatas estrangeiros em Washington afirmam, de forma reservada, que se tornou mais difícil identificar quais canais do Departamento de Estado têm influência efetiva sobre as decisões presidenciais.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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