Mais de 560 escolas de ensino médio foram afetadas pelos protestos na França nesta sexta-feira (2), informou o Ministério da Educação. O governo anunciou que abrirá, a partir de segunda-feira (5), uma plataforma para que os estudantes apresentem propostas e expectativas, individualmente ou em grupo.
A mobilização, iniciada na região de Paris na semana passada, se espalhou pelo país e passou a registrar confrontos com a tropa de choque. Em Estrasburgo, ruas foram tomadas por gás lacrimogêneo. Em Marselha, fogos de artifício foram lançados contra barreiras policiais. Em Rennes, lixeiras foram incendiadas. Também houve confrontos em Paris.
Quatrocentas escolas, cerca de 1 em cada 10 das 3.700 instituições de ensino médio do país, permaneceram fechadas. Mais cedo, o ministro da Educação, Edouard Geffray, havia projetado esse número. Ele pediu aos pais que desaconselhassem a participação dos filhos nos protestos e afirmou: “Nas ruas, as crianças correm perigo”.
O ministro disse que as contribuições recebidas pela plataforma serão analisadas localmente e usadas em um relatório nacional. Em uma mensagem no X, defendeu que as dificuldades dos estudantes sejam respondidas nas escolas e em nível nacional.
Prisões e críticas à ação policial
O ministro da Justiça, Gerald Darmanin, afirmou à rádio RTL que 2.000 pessoas, a maioria adolescentes, foram presas desde o começo dos protestos. Para ele, pais de jovens que provocarem danos ao patrimônio devem ser obrigados a pagar o ressarcimento. Darmanin também disse que o movimento foi tomado por “elementos de fora”.
Estudantes e organizações de direitos humanos acusaram a polícia de usar cassetetes, gás lacrimogêneo e armas não letais Flash-Ball contra menores. A Anistia Internacional criticou o uso excessivo da força, e o Ministério do Interior abriu três investigações sobre violência policial contra manifestantes.
Marine Le Pen apoiou a atuação policial nas redes sociais e defendeu punições aos responsáveis por agressões. A líder de ultradireita mencionou o caso de uma policial que, segundo ela, foi perseguida, derrubada e agredida durante os protestos.
Orçamento e disputa política
Os estudantes reclamam da superlotação, da falta frequente de professores e das condições precárias dos prédios. Kesia, de 15 anos, disse que havia 35 alunos por turma, cadeiras insuficientes e apenas uma hora para o almoço.
O projeto de Orçamento de 2027 prevê aumento de 1,7% para a educação, abaixo da inflação, elevando os recursos a € 65,53 bilhões (R$ 383,2 bilhões), sem incluir as aposentadorias dos professores. Os custos do serviço da dívida devem chegar a € 74,5 bilhões (R$ 435,7 bilhões).
A seis meses das eleições presidenciais, marcadas para 18 de abril e 2 de maio, pesquisas mostram a impopularidade de Emmanuel Macron e de seu governo. Agências de inteligência disseram que políticos da França Insubmissa (LFI) iniciaram a mobilização. Parlamentares do partido negaram a acusação e afirmaram que o governo politiza os protestos. Na Bélgica, estudantes de Liège também começaram a protestar, e as escolas de ensino médio da cidade ficaram fechadas nesta sexta-feira.


