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Internacional

Dúvidas sobre nova convocação alteram planos de russos

Negativas do Kremlin não dissipam o temor de uma mobilização, que leva cidadãos a viajar, sacar dinheiro e buscar proteção legal.

Dúvidas sobre nova convocação alteram planos de russos
Foto: The New York Times

A incerteza sobre uma possível nova mobilização militar tem levado russos a reorganizar a vida, embora o Kremlin negue que uma convocação esteja sendo preparada. Há relatos de pessoas que deixaram o país, buscaram residência oficial, retiraram dinheiro de contas bancárias ou tentaram permanecer no exterior.

O presidente Vladimir Putin classificou os rumores como "completa bobagem" na quarta-feira (2). No dia seguinte, afirmou que a Rússia dispõe de tropas suficientes e que "até hoje, não há nenhum cenário que exigiria uma mobilização".

As especulações se intensificaram com a possibilidade de uma convocação após as eleições parlamentares de 20 de setembro. O temor é discutido em cafés, trens e áreas próximas a escritórios. Parte da população, porém, continua desconfiada por causa de negativas anteriores do governo que, em 2022, foram seguidas pela invasão da Ucrânia e por uma onda de mobilização.

Saídas e precauções

Eradzh, empresário de 36 anos, usou um assistente de inteligência artificial para avaliar as notícias e decidiu comprar uma passagem barata para o Chipre. Ele pretende ficar pelo menos dois meses longe de Moscou. O empresário considera que a Rússia tem enviado dezenas de milhares de voluntários à guerra na Ucrânia, atraídos por pagamentos elevados, enquanto obtém avanços territoriais limitados.

Alexander, instrutor de academia de 36 anos e ex-integrante de uma unidade especial das Forças Armadas, viajou para a Tailândia com a mulher no fim de agosto. Ele afirmou que o risco de convocação era alto demais. Ilia, engenheiro de 26 anos, decidiu sair depois que o Yabloko foi retirado da disputa eleitoral. Também mencionou a escassez de gasolina após ataques ucranianos e relatos de maior assédio a viajantes na fronteira.

Outros russos disseram não ter dinheiro para deixar o país. Alguns tentam obter residência oficial em Moscou, enquanto outros sacam recursos por medo de bloqueios associados ao não comparecimento a um posto de alistamento.

Avaliações sobre a guerra

Volodimir Zelenski afirmou, em agosto, que a Rússia planejava convocar 300 mil pessoas após as eleições parlamentares. O presidente ucraniano havia feito previsão semelhante em abril de 2024. O temor também é alimentado por relatos sobre perdas russas e por exemplos de recrutamento mais duro na região de Penza.

Dmitri Kuznets, analista militar, avaliou que a situação atual na linha de frente é diferente da de 2022. Segundo ele, dados do orçamento russo, de cartórios e de obituários indicam que o país ainda recruta mais pessoas do que perde no campo de batalha. Kuznets também disse que o Estado não teria recursos para pagar uma convocação ampla e que uma nova mobilização poderia provocar uma revolta popular contra o Kremlin.

Regras digitais

Muitos russos consideram que uma nova convocação seria mais difícil de evitar do que a de 2022. As notificações passaram a ser entregues eletronicamente, e o descumprimento pode resultar em proibição automática de deixar o país, suspensão da carteira de motorista e restrição a transações imobiliárias.

Grigori Sverdlin, fundador do Idite Lesom, grupo que ajuda russos a evitar o serviço militar obrigatório, afirmou que o sistema ainda não funciona plenamente por dificuldades técnicas e falta de coordenação entre órgãos públicos.

Mikhail, trabalhador da indústria cinematográfica de 40 anos, procurou um psiquiatra depois de acompanhar os relatos. Konstantin, instrutor de iatismo em São Petersburgo, disse que permanecerá fora da Rússia, como fez durante a primeira mobilização, em 2022.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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