O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou a ampliação da cooperação com o Equador para combater grupos ligados ao narcotráfico. A Casa Branca enviará US$ 55 milhões (R$ 280 milhões) ao país, além de ceder um navio da Guarda Costeira e concluir a entrega de 12 embarcações para interceptar lanchas usadas pelo tráfico.
Rubio se reuniu com o presidente equatoriano, Daniel Noboa, e afirmou que os Estados Unidos designaram o Los Tiguerones como organização terrorista estrangeira. A medida permite intensificar a procura por líderes, aliados e recursos financeiros do grupo. Desde 2025, Los Choneros, Los Lobos e Chone Killers também estão na lista do Departamento de Estado.
“Não estamos falando de uma máfia normal, de criminosos, e sim de terroristas”, disse Rubio após o encontro. Ele classificou as facções como exércitos com grande poder de fogo.
Operações no Pacífico
Estados Unidos e Equador realizam operações militares conjuntas contra embarcações pesqueiras carregadas com combustível, supostamente a serviço de narcotraficantes no Pacífico. Os militares afundaram seis embarcações em duas semanas. A ação mais recente ocorreu na terça-feira (8), em meio a denúncias de possíveis violações de direitos humanos.
O Comitê Permanente pela Defensa dos Direitos Humanos, uma ONG equatoriana, denunciou pelo menos 143 “prisões arbitrárias” em 2026 durante operações em águas do país. A entidade também relatou desaparecimentos forçados, tortura e destruição de embarcações por explosões ativadas por militares dos Estados Unidos. Pescadores e familiares de Manta negaram trabalhar para o narcotráfico e relataram supostos abusos.
O Los Tiguerones é um dos grupos envolvidos na disputa pelo controle do narcotráfico no Equador. Em 2025, o país registrou 51 homicídios em cada 100.000 habitantes. As organizações criminosas mantêm alianças com máfias da Albânia e do México, e estima-se que 70% da cocaína produzida na Colômbia e no Peru passem pelo Equador.
Rubio também esteve na Colômbia e seguirá na quinta-feira (10) para Lima, onde se reunirá com a presidente peruana, Keiko Fujimori. Na terça-feira (8), encontrou-se com o presidente colombiano, Abelardo de la Espriella, que aderiu ao Escudo das Américas, aliança liderada por Donald Trump contra o narcotráfico.
Em Quito, o secretário criticou os esforços do México contra os cartéis, mas disse que pretende atuar em colaboração com as autoridades mexicanas. A viagem começou na Colômbia e terminará no Peru.


