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Forte Ross preserva vestígios da presença russa na Califórnia

Colônia criada em 1812 chegou a reunir cerca de 400 pessoas e deixou marcas no comércio, na indústria e na agricultura local.

Forte Ross preserva vestígios da presença russa na Califórnia

Uma capela ortodoxa, uma paliçada de madeira e placas em alfabeto cirílico preservam, na costa da Califórnia, os vestígios da única colônia permanente do Império Russo no exterior. O Forte Ross foi estabelecido em 1812, a 145 km ao norte de São Francisco, em uma falésia de 46 metros diante do oceano Pacífico.

A instalação surgiu como tentativa de abastecer os assentamentos russos no Alasca, onde os colonos enfrentavam fome e dificuldades para cultivar. O posto também se tornou um centro de comércio, construção naval e produção de mercadorias. Nos anos 1830, a colônia chegou a reunir cerca de 400 pessoas.

Uma base para o Alasca

A expansão russa pela América do Norte avançou pela Sibéria até o litoral do Pacífico. Em 1799, o czar Paulo 1° formalizou a reivindicação do Alasca e fundou a Companhia Russo-Americana, responsável pela administração da colônia e pelo comércio de peles.

A falta de alimentos levou os russos a buscar um território de clima mais quente. Em abril de 1806, Nikolai Rezanov chegou à baía de São Francisco a bordo do navio Juno. Depois de obter provisões dos espanhóis, ele defendeu a extensão da América Russa para a Califórnia.

O Forte Ross foi construído por 25 russos e 80 caçadores nativos do Alasca. A estrutura abrigava soldados, funcionários da companhia e autoridades. Fora da paliçada, havia padarias, saunas russas e cerca de 60 construções.

“Era uma aldeia mercantil pluralista e vibrante, onde se falava muitos idiomas e com pessoas de diferentes nações vivendo juntas”, afirmou o antropólogo Kent Lightfoot, da Universidade da Califórnia em Berkeley.

Comércio e indústria

A colônia mantinha relações comerciais com espanhóis e, depois, mexicanos. Peles de lontra eram enviadas para a China, a Europa e a Califórnia espanhola. Trabalhadores trazidos da Finlândia e do Havaí atuavam ao lado de moradores locais em atividades como tanoaria, carpintaria e forja.

No local foram construídos navios, além de produzidos tijolos, vidros e moinhos de vento. O assentamento também cultivou árvores frutíferas e introduziu uvas no atual condado de Sonoma em 1817. A uva Mission, levada pelos russos, foi usada na produção de pequenos lotes de vinho.

A presença russa, porém, não alcançou os objetivos de gerar lucros e abastecer o Alasca. A caça reduziu a população de lontras, enquanto o nevoeiro e os roedores limitaram a produção de trigo a 13 toneladas por ano entre 1826 e 1833.

A saída dos russos

Em 1839, a Companhia da Baía de Hudson passou a fornecer provisões aos assentamentos russos do Alasca. Em 1841, John Sutter comprou por US$ 30 mil os bens e as construções do Forte Ross e reaproveitou partes do local em seu assentamento em Sacramento.

O forte original também foi parcialmente destruído pelo terremoto que atingiu São Francisco em 1906. O parque histórico atual conserva estruturas reconstruídas, o antigo cemitério russo e um pomar criado a partir de um pessegueiro plantado em 1814.

A herança russa permanece em outros pontos da Califórnia. O bairro Russian Hill, em São Francisco, recebeu esse nome após a descoberta de túmulos de marinheiros da Companhia Russo-Americana. A baía de Bodega mantém um marco histórico ligado às rotas para o Alasca, e o rio Russo era chamado de Slavyanka pelos colonizadores.

Para o arqueólogo Chris Kimsey, da California State Parks, russos e espanhóis dependiam do comércio, embora estivessem em lados distintos da disputa colonial. “Ambos precisavam de produtos que o outro lado poderia fornecer e, por isso, surgiu o comércio ilícito.”

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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