São Paulo, Segunda-feira, 21 de setembro de 2026
Dólar R$ 5,16 · Euro R$ 5,91 · Ibovespa 185.229 +0,00%
Notícia com critério
Internacional

A explosão entre as torres e as marcas deixadas em Hans Gernot Schenk

Hans Gernot Schenk estava a metros da Torre Norte quando o segundo avião atingiu o World Trade Center e mudou sua vida.

A explosão entre as torres e as marcas deixadas em Hans Gernot Schenk

Hans Gernot Schenk estava a cerca de 25 metros da entrada da Torre Norte quando viu pessoas correndo pelo saguão do World Trade Center. Pouco depois, uma explosão passou sobre sua cabeça. Ele se protegeu, correu para o metrô e deixou o local. O episódio ocorreu em 11 de setembro de 2001, quando dois aviões atingiram as Torres Gêmeas em uma série de ataques coordenados da Al Qaeda.

Schenk, hoje com 55 anos, trabalhava havia mais de um ano no complexo. Naquela manhã, chegou cerca de dez minutos depois do horário habitual porque havia passado a noite fora de casa após sair para jantar. Ele acredita que a diferença de tempo influenciou sua sobrevivência.

A fuga pelo metrô

Antes de chegar ao escritório, Schenk passou por casa para trocar de roupa. Depois, seguiu de metrô e caminhou por uma área comercial sob as torres. Ao se aproximar das portas giratórias da Torre 1, percebeu o movimento de pessoas em pânico e uma fumaça preta no alto do edifício. Sem compreender a dimensão do ataque, procurou a rua.

Ele ficou entre as torres quando viu uma explosão do outro lado do prédio. Uma nuvem negra e vermelha se formou, enquanto papéis e outros objetos voavam. Em reação imediata, protegeu a cabeça e correu por uma escadaria próxima a uma estação de metrô. Desceu rapidamente e saltou a catraca.

Na plataforma, encontrou apenas uma senhora. Disse a ela que não saísse para a rua porque havia bombas. Mais tarde, na Canal Street, duas jovens informaram que aviões comerciais haviam atingido as Torres Gêmeas. Schenk voltou ao metrô e seguiu para casa. As ligações para os colegas não completavam porque a rede telefônica estava fora do ar.

Poucos minutos depois, assistiu pela televisão ao desabamento da Torre 2 e, em seguida, ao da outra torre. Seu colega de apartamento sugeriu que os dois deixassem a cidade. Schenk, porém, permaneceu no imóvel, sem saber o que havia acontecido com seus amigos e com o escritório onde trabalhava.

Amigos e o trabalho perdido

O escritório ficava no 32º andar da Torre Norte e era identificado pelo número 3.271. Schenk atuava como gerente regional de vendas em Nova York para uma empresa alemã de logística internacional. O grupo tinha cerca de 25 pessoas.

Ele havia estudado Geografia Humana, Economia e Logística na Alemanha e feito um estágio na empresa enquanto estudava na Universidade de Nova York. Desde criança, admirava arranha-céus e considerava viver em Nova York um sonho realizado.

Entre os colegas mortos estava Ingeborg Joseph, conhecida como Inga, que havia sido sua chefe durante o estágio. Ela sobreviveu ao ataque, mas sofreu queimaduras e morreu depois de permanecer internada por várias semanas. Eddie Reyes, que estava havia duas semanas na empresa, também morreu. Sua identificação foi encontrada em um dos elevadores.

No dia seguinte, Schenk saiu de casa e caminhou em direção às torres. A cidade estava deserta, e havia barricadas da polícia na Canal Street. Ele não conseguiu doar sangue porque era gay. Como os telefones continuavam sem funcionar, foi até a casa de uma amiga.

A empresa orientou os funcionários a retomar o trabalho, mas Schenk afirma que os executivos não compreenderam o estado de choque e o luto dos trabalhadores. Em novembro daquele ano, pediu demissão. Em dezembro de 2001, voltou a morar na Alemanha.

Trauma e culpa

Depois dos ataques, fogos de artifício passaram a provocar tremores. Viajar de avião se tornou uma experiência estressante, e até andar de carro no banco do passageiro despertava tensão. Em outubro de 2002, após uma viagem a Nova York, teve uma crise de psoríase que cobriu quase todo o corpo. Ele relaciona o quadro ao impacto psicológico dos acontecimentos.

Em 2004, quando morava no Rio de Janeiro, Schenk foi ao cinema assistir a “Fahrenheit 9/11”, documentário de Michael Moore. O filme começou com sons dos atentados. Ao ouvir o impacto correspondente ao segundo avião, ele se jogou no chão entre as poltronas.

Schenk diz sentir gratidão por ter sobrevivido, mas também culpa. “Por que eu sim e por que os outros não?”, questiona. A cada 11 de setembro, a pessoa com quem estava na noite anterior lhe envia uma mensagem. Para ele, o jantar e a decisão de dormir fora de casa podem ter alterado o momento de sua chegada ao escritório.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.