NOVA YORK — O Consulado-Geral do Brasil em Nova York recebeu pedidos de localização de 93 brasileiros após os ataques de 11 de Setembro. A maioria foi encontrada, mas cinco pessoas continuavam sem localização no fim de setembro de 2001, informou o Itamaraty.
O ministério declarou que não possui uma relação própria de brasileiros mortos nos atentados. A identificação das vítimas, segundo a pasta, é responsabilidade das autoridades americanas. Os familiares dos cinco brasileiros que permaneciam desaparecidos receberam apoio consular para fornecer material genético e tentar localizar os parentes entre os mortos. O Itamaraty não divulgou os nomes nem detalhes individuais do atendimento, alegando proteção à privacidade.
Dois casos sem registro no memorial
Nilton Albuquerque Fernão Cunha e Claudino Antunes Braga não integram as 2.753 vítimas reconhecidas nos ataques em Nova York e também não têm os nomes registrados no Memorial do 11 de Setembro.
Cunha era engenheiro, natural do Espírito Santo, tinha 41 anos e possivelmente estava no 108º andar da torre norte, em uma empresa japonesa. Ele trabalhava por conta própria para companhias interessadas na importação de componentes eletrônicos. Em uma mensagem enviada dias antes, escreveu: "Estou cem andares acima do solo, dá para sentir frio".
O engenheiro havia viajado para Nova York por uma semana e tinha retorno previsto para 12 de setembro de 2001. Filho único, deixou no Brasil a mãe, que tinha 72 anos naquele período. Marcelo Chagas Menezes, empresário e cliente de Cunha, comunicou o desaparecimento ao Consulado do Brasil em Nova York.
A família recebeu formulários para fornecer informações que poderiam contribuir para uma identificação genética, mas não enviou amostras. Cunha nunca foi acrescentado à relação oficial de mortos.
Braga, mineiro de 48 anos, vivia na periferia de Belo Horizonte. Sua mulher e seus três filhos não sabiam que ele estava nos Estados Unidos. Ele teria entrado no país pelo México algumas semanas antes dos ataques e contou a um primo que trabalhava como engraxate no World Trade Center. Depois do atentado, não houve novas notícias, e seu nome também não aparece no memorial.
Brasileiros reconhecidos e buscas ainda abertas
Ivan Kyrillos Fairbanks Barbosa, Anne Marie Sallerin Ferreira e Sandra Fajardo Smith são os três brasileiros reconhecidos oficialmente como mortos nos ataques. Ivan e Anne Marie trabalhavam na Cantor Fitzgerald, empresa financeira localizada nos andares superiores da torre norte. Sandra era contadora da Marsh & McLennan e trabalhava no 98º andar.
Ivan tinha 30 anos, Anne Marie, 29, e Sandra, 37. Em 2021, o médico Ivan Fairbanks Barbosa, pai de Ivan Kyrillos, afirmou: "É muito difícil encarar uma morte sem um cadáver para enterrar". Ele relatou que a família passou ao menos 15 dias tentando verificar informações desencontradas sobre o filho.
Vinte e cinco anos depois dos ataques, a identificação ainda não foi concluída. O órgão de medicina legal de Nova York, conhecido como OCME, associou restos mortais a 1.654 das 2.753 vítimas reconhecidas na cidade. Outras 1.099 pessoas estão na lista de mortos, mas continuam sem restos identificados.
A identificação mais recente, divulgada cerca de duas semanas antes, foi a de uma mulher cujo nome não foi divulgado a pedido da família. Foi o primeiro caso dos ataques com uso da genealogia genética investigativa forense, a FIGG.
A técnica compara o DNA dos restos mortais com perfis de bancos comerciais de genealogia genética que permitem buscas forenses. Parentes distantes podem ajudar a formar árvores familiares mesmo quando não há amostras de pai, mãe, filho ou irmão; a provável identidade depois é confirmada por exames adicionais.
O OCME ainda tem 47 perfis genéticos de restos do World Trade Center que não coincidem com as amostras familiares disponíveis. É nesse conjunto que os investigadores concentram os esforços com a genealogia genética, segundo uma antropóloga forense do órgão.


