A política migratória dos Estados Unidos passou a priorizar a repressão e a fiscalização após os ataques de 11 de Setembro de 2001, processo que levou à criação do Immigration and Customs Enforcement (ICE) em 2003. A agência surgiu durante a reorganização das estruturas de segurança do país na chamada Guerra ao Terror e, desde então, tornou-se responsável por prender e deportar imigrantes em situação irregular.
A professora da Universidade Columbia Elizabeth OuYang afirma que os atentados foram um marco para a política de imigração americana. “Foi um divisor de águas na política de imigração dos EUA”, disse a advogada, que leciona em Nova York sobre as medidas adotadas depois dos ataques.
Repressão e reunião familiar
O ICE integra o Departamento de Segurança Interna, ao lado da agência de fronteira, conhecida como CBP. A estrutura atua nas fronteiras com o México e o Canadá, mas, durante o governo Donald Trump, também passou a operar dentro do território americano.
A política de imigração dos Estados Unidos combinava historicamente dois eixos: o controle migratório e a reunião familiar. Há 50 anos, foi criada a possibilidade de cidadãos americanos e portadores de green cards patrocinarem parentes para que eles morassem no país. Trump critica esse mecanismo e defende a ampliação das medidas de repressão.
Segundo OuYang, a mudança começou antes dos atentados. “Mesmo antes do 11/9, já havia um começo de mudança, um novo direcionamento para a repressão à imigração”, afirmou.
Nos anos anteriores ao 11 de Setembro, o governo americano adotou a chamada prevenção por meio da dissuasão, conhecida pela sigla PTD. A estratégia buscava impedir a entrada de imigrantes, em vez de concentrar a fiscalização nas prisões após a chegada ao país.
A política foi formalizada pelo governo do democrata Bill Clinton em 1994, depois de uma experiência localizada em El Paso. Agentes migratórios enviavam grandes contingentes para áreas povoadas da fronteira com o objetivo de assustar os imigrantes e levá-los a procurar rotas mais perigosas, como desertos e montanhas.
A estratégia não interrompeu as tentativas de imigração. Dados da ONU indicam que 6.760 imigrantes morreram ao tentar cruzar a fronteira com o Texas desde 2014. Para OuYang, a justificativa baseada na segurança nacional também serviu para apoiar restrições às liberdades civis e políticas de exclusão.


