FLÓRIDA — Compartimentos metálicos de apenas 1,7m² foram usados como áreas de acalmamento em um centro estadual de detenção de imigrantes na Flórida, segundo relatório do Escritório do Inspetor-Geral do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos. Os detidos permaneciam nesses espaços por períodos que iam de alguns minutos a quase duas horas.
A investigação identificou pelo menos um episódio em que uma dessas celas foi usada como punição contra um detido que “não obedeceu a uma ordem legal”. Funcionários disseram que os próprios detidos pediam para permanecer nos compartimentos, mas o relatório classificou esse tipo de espaço como altamente incomum e incompatível com as normas de tratamento humanitário.
Falhas nas condições de detenção
O documento aponta que a instalação não cumpria diversas normas nacionais de detenção relacionadas a atendimento médico, alimentação, higiene pessoal e atividades recreativas. As exigências de admissão e de uso da força, porém, eram atendidas.
Também houve falta de espaço nos alojamentos. As regras determinam ao menos 7m² para cada detido, mas, na lotação máxima, as unidades ofereciam 2,6m² por pessoa.
Conhecido como “Alcatraz dos Jacarés”, o centro foi construído em julho de 2025 em um aeroporto de treinamento localizado em uma área rural entre Miami e Naples. A instalação foi apresentada pela Flórida como parte dos esforços para apoiar a política de repressão de Donald Trump à imigração.
O local recebeu uma placa com o nome “Alcatraz dos Jacarés” na estrada de acesso. Críticos consideraram a iniciativa cruel. Trump havia brincado que os detidos teriam de aprender “como fugir de um jacaré” por causa do isolamento da área.
O centro foi fechado em junho, depois de críticas às condições e aos custos e de contestações judiciais. A instalação custava mais de US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões) por dia aos cofres estaduais, incluindo o transporte de água por caminhões e o descarte de resíduos. As autoridades estaduais paralisaram as operações em agosto, alegando a proximidade da temporada de furacões, embora os detidos tenham permanecido no local durante a temporada de 2025.
O Departamento de Segurança Interna, a Divisão de Gerenciamento de Emergências da Flórida e o gabinete do governador Ron DeSantis não haviam respondido de imediato a pedidos de comentário.


