FLÓRIDA — Um centro de detenção para imigrantes na Flórida manteve pessoas em compartimentos metálicos com cerca de 1,67 metro quadrado, segundo relatório do escritório do inspetor-geral do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS). A instalação, conhecida como “Alcatraz dos Jacarés”, foi desativada em junho deste ano.
Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, 79 detidos passaram por esses espaços por períodos que iam de alguns minutos a quase duas horas. Funcionários chamavam os compartimentos de “áreas de tranquilização” e diziam que eles serviam para que os detidos se acalmassem e ficassem sozinhos por algum tempo.
O documento foi divulgado na sexta-feira (11), depois de uma inspeção realizada em janeiro de 2026. A avaliação concluiu que o uso das chamadas microcelas não tinha precedente entre os centros de detenção inspecionados pelo escritório do inspetor-geral. O relatório também afirmou que a prática representava risco à saúde e à segurança dos detidos.
Falhas apontadas
A unidade, cujo nome oficial era Florida Soft-Sided Facility (FSSF), não cumpria padrões em áreas como saúde e segurança ambiental, atendimento médico, alimentação, higiene pessoal e recreação. De acordo com o relatório, as falhas poderiam prejudicar a saúde física e mental das pessoas detidas.
Localizado nos Everglades e administrado pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE), o centro se tornou um símbolo da campanha de deportações em massa do presidente Donald Trump. O local foi fechado em junho deste ano em meio a disputas judiciais e controvérsias sobre o aumento de seus custos.
Antes do encerramento, advogados, familiares de detidos e defensores dos direitos humanos criticaram as condições da unidade. Eles acusavam o governo de manter imigrantes em situação irregular sob condições severas e de negar um devido processo legal efetivo.


