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Internacional

Independência dos EUA influenciou movimentos que antecederam a separação do Brasil

Pesquisadoras destacam a influência americana, mas ressaltam que ideias europeias e a Revolução Haitiana também moldaram as revoltas brasileiras.

Independência dos EUA influenciou movimentos que antecederam a separação do Brasil
Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

A independência dos Estados Unidos, primeira de uma colônia nas Américas diante da Europa, tornou-se uma das referências dos movimentos que antecederam a separação do Brasil de Portugal. A influência apareceu na Inconfidência Mineira, na Conjuração Baiana e na Revolução Pernambucana, embora pesquisadores ressaltem que o processo americano não foi um modelo único para os brasileiros.

A Inconfidência Mineira ocorreu em 1789, 13 anos depois da independência dos Estados Unidos. O movimento, que defendia a separação de Portugal, tinha Tiradentes entre seus líderes. Para Kirsten Schultz, doutora em história da América Latina pela Universidade de Nova York e professora da Universidade Seton Hall, as notícias sobre o novo país chegaram ao Brasil por cartas, livros e conversas, em um período de maior integração comercial com o mundo atlântico.

Entre os brasileiros que acompanharam os acontecimentos estavam José Joaquim Maia e Barbalho (1757–1788), médico que manteve correspondência com Thomas Jefferson (1743–1826) e se encontrou com ele na França. José Álvares Maciel (1760–1804), um dos principais nomes da Inconfidência, acompanhou da Inglaterra os desdobramentos das movimentações americanas.

Influência compartilhada

Mary Anne Junqueira, professora dos departamentos de história e relações internacionais da USP, afirma que a influência dos Estados Unidos existiu, mas foi difusa. Segundo ela, a Europa também passava por transformações intelectuais, incluindo as reflexões de Montesquieu sobre a República, ideia defendida pelos inconfidentes.

Schultz concorda que a independência americana foi apenas uma entre várias influências acumuladas no período. Ela cita as revoluções Francesa e Haitiana como referências importantes para um momento em que, nas palavras da pesquisadora, “as coisas estavam mudando” e o antigo regime começava a perder força entre as grandes potências europeias.

A Conjuração Baiana, de 1798, tinha caráter abolicionista e republicano. O movimento se inspirou nos Estados Unidos, mas a Revolução Haitiana teve impacto mais direto, especialmente pela participação de escravizados e de outras camadas populares. Essa composição não apareceu na mesma proporção no processo americano.

Em 1817, a Revolução Pernambucana também buscou inspiração nos Estados Unidos. Os revoltosos eram contrários à Coroa portuguesa e pretendiam instaurar uma república federalista baseada no modelo americano. Um emissário brasileiro foi enviado ao país e se reuniu com o secretário de Estado. O cônsul dos Estados Unidos no Recife apoiou a revolta, que, assim como a Inconfidência e a Conjuração Baiana, antecedeu a independência brasileira.

Constituição e reconhecimento

Depois da separação de Portugal, sob dom Pedro 1º, o Brasil aprovou sua primeira Constituição, em 1824. Schultz afirma que a Constituição americana era uma das configurações disponíveis para estudo, especialmente por suas ideias de representação, direitos e cidadania.

A independência brasileira, em 7 de setembro de 1822, integrou a onda revolucionária que atravessou as Américas e o Caribe. Os Estados Unidos foram o primeiro país a reconhecê-la. Para Junqueira, esse reconhecimento também servia para confirmar a própria independência americana diante do temor de uma reação europeia.

Schultz avalia que a decisão ainda correspondia aos interesses econômicos dos Estados Unidos e do Brasil, que buscava desenvolver seu próprio comércio sem as restrições das políticas portuguesas. Para a pesquisadora, as relações entre os dois países também envolveram a escravidão, a Guerra Civil Americana e a abolição.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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