CEUTA — Mais de 100 pessoas morreram ao tentar alcançar Ceuta a nado durante a entrada de mais de 70 mil migrantes no território espanhol em julho passado. A maioria, formada por marroquinos, já retornou ao Marrocos. O episódio é alvo de investigação aberta oficialmente pela Justiça espanhola em 7 de setembro de 2026.
A decisão é conduzida pela juíza María Tardón, da Audiência Nacional, jurisdição sediada em Madri e com competência para analisar casos ocorridos no exterior. O tribunal avalia se os fatos podem configurar infrações contra a paz ou a independência do Estado espanhol, além de crimes contra os direitos de estrangeiros.
O procedimento se baseia em um relatório da polícia espanhola. Conforme o documento, integrantes uniformizados das forças de segurança marroquinas teriam permitido a aproximação das pessoas à zona fronteiriça sem tentar dispersá-las ou afastá-las. O relatório também sustenta que esses agentes poderiam ter orientado ativamente os migrantes sobre como cruzar a fronteira em direção a Ceuta.
Para a magistrada, a movimentação não teria ocorrido de forma acidental, ocasional ou espontânea. O relatório descreve ondas de entradas com diferentes intensidades e perfis, que teriam levado ao colapso do sistema de controle fronteiriço e à violação da soberania territorial espanhola.
A decisão menciona ainda a possibilidade de crimes contra os direitos de estrangeiros, incluindo “homicídios involuntários”. Tardón afirma que “a utilização de fluxos migratórios é uma das técnicas empregadas em operações de guerra híbrida”.
A investigação também registra indícios de uma atuação marroquina considerada favorável ao processo de entrada dos migrantes a partir do território do Reino do Marrocos. A maioria das pessoas que chegou a Ceuta, porém, voltou posteriormente ao país vizinho.


