CEUTA — A transferência de imigrantes das praias de Ceuta para uma estrutura temporária no porto começou nesta sexta-feira (18), após um tribunal rejeitar o pedido de um sindicato policial para suspender a operação. A polícia foi acionada para conter aglomerações formadas por pessoas que tentavam conseguir um lugar nas barracas.
As instalações, montadas pelo governo espanhol, têm capacidade para 1.700 pessoas. O governo afirma que o espaço oferece “chuveiros, banheiros, alimentação e camas novas”. A operação ocorreu em meio a uma disputa com a administração local, depois que a autoridade portuária de Ceuta se recusou a permitir o uso do local.
Diante da recusa, o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez retirou o controle da instalação da administração de Ceuta, governada pelo Partido Popular. Sánchez é criticado pela direita e pela extrema direita por causa da crise migratória.
Divergência sobre o número de pessoas
Ainda não há estimativa oficial sobre quantos imigrantes estavam nas praias. As autoridades avaliam, porém, que o total supera o número de vagas disponíveis no porto. As barracas devem abrigar parte das pessoas que continuam na cidade autônoma e reduzir a pressão em algumas áreas.
Dezenas de milhares de imigrantes entraram no fim de julho no pequeno território espanhol, embora a maioria tenha retornado ao Marrocos. Ceuta tem 80 mil habitantes e área de 18,5 km². As autoridades locais calculam que 13 mil pessoas permaneceram no território, enquanto o governo central trabalha com uma estimativa significativamente menor.
A entrada ocorreu após quase 70 mil pessoas procedentes do Marrocos chegarem ao enclave. Desde então, foram registrados momentos de tensão e protestos recorrentes de moradores, que pedem o retorno à normalidade.
O governo central tenta acelerar as devoluções, mas precisa identificar cada imigrante para avaliar eventual direito a asilo ou possibilidade de retorno. Milhares de menores de idade devem receber proteção especial conforme a legislação.


