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Internacional

Milei eleva pressão sobre Malvinas com base naval e disputa por petróleo

Reino Unido respondeu às novas iniciativas argentinas enquanto Londres e Buenos Aires mantêm reivindicações opostas sobre o arquipélago.

Milei eleva pressão sobre Malvinas com base naval e disputa por petróleo
Foto: AFP

A disputa pelas Ilhas Malvinas ganhou novos pontos de tensão após Javier Milei anunciar a construção de uma base naval na Terra do Fogo e ameaçar empresas envolvidas em projetos de exploração de petróleo na região. O anúncio foi feito na véspera da reação do governo do Reino Unido, nesta sexta-feira (4).

O ministro da Defesa britânico, Wes Streeting, defendeu a posição de Londres sobre o arquipélago, chamado de Falklands pelos britânicos. “As Falklands são britânicas porque os habitantes escolhem ser britânicos”, afirmou. Streeting também declarou que as manifestações de Milei dizem mais sobre a política interna argentina do que sobre a situação das ilhas e classificou como absoluto e inabalável o compromisso britânico com as Malvinas.

Petróleo e presença militar

A iniciativa argentina ocorre enquanto avançam planos de perfuração associados ao campo de petróleo Sea Lion, situado a cerca de 225 quilômetros ao norte das Malvinas. O projeto é operado pela israelense Navitas Petroleum, listada na bolsa de Tel Aviv, e tem entre seus acionistas a britânica Rockhopper Exploration, listada em Londres.

As empresas informaram que têm licenças válidas para explorar petróleo. Na manhã desta sexta-feira, as ações da Rockhopper recuaram 6%, enquanto as da Navitas caíram 2%. Estima-se que o campo contenha 1,7 bilhão de barris. Em 2010, quando as primeiras perfurações encontraram a reserva, a Argentina declarou que a atividade era ilegal.

Milei afirmou que os habitantes das ilhas não têm direito legítimo à autodeterminação. Segundo o presidente argentino, a base naval também deverá ampliar a presença militar em uma área estratégica para o futuro do país. Antes, ele defendia a diplomacia como principal caminho para a reivindicação argentina, mas passou a adotar tom mais confrontador diante dos projetos de petróleo e das declarações de Donald Trump.

Pressão dos Estados Unidos

Trump ameaçou intervir na disputa e deu a entender, em entrevista à GB News, que não ajudaria o Reino Unido em um eventual conflito futuro com a Argentina. O presidente americano também criticou a falta de apoio britânico na guerra no Irã.

Washington reconhece que o Reino Unido administra o arquipélago, mas não se pronunciou de forma estrita sobre a soberania, reivindicada pela Argentina. O governo Trump estaria disposto a rever essa posição para pressionar Londres a ampliar seus gastos militares.

Milei disse que há ventos de mudança favoráveis à reivindicação argentina e avaliou que a declaração de Trump representa uma ameaça que não é inócua. Para Tomás Mugica, diretor do Centro de Estudos Internacionais da Universidade Católica Argentina, a questão pode ser usada por Trump para pressionar o Reino Unido em temas como o financiamento da Otan e a guerra no Irã. O cientista político defendeu cautela diante da possibilidade de mudança na posição americana.

A soberania das ilhas é objeto de uma resolução da ONU de 1965, que pede aos dois países que evitem decisões unilaterais e busquem uma solução diplomática. A guerra entre Argentina e Reino Unido ocorreu em 1982 e terminou com a rendição argentina.

O tema voltou à agenda durante um período de queda de popularidade de Milei, que pretende buscar um segundo mandato. Pesquisas recentes indicam que 34% aprovam seu governo, enquanto 55% o desaprovam.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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