Javier Milei retomou a reivindicação argentina sobre as Malvinas e afirmou, em cadeia nacional, que os habitantes das ilhas não têm direito à autodeterminação. O presidente classificou os moradores como uma “população implantada”, em mudança de posição em relação ao que já havia defendido.
Em 2013, um referendo nas ilhas registrou mais de 99% de apoio à continuidade da associação com o Reino Unido. Na ocasião, moradores de Port Stanley comemoraram o resultado com bandeiras britânicas. Famílias vivem nas ilhas há nove gerações, e parte da população considera a consulta a palavra final sobre o status do território.
Mudança na posição de Milei
Admirador de Margaret Thatcher, primeira-ministra britânica durante a guerra de 1982, Milei já havia sustentado que a Argentina deveria se tornar tão próspera que os próprios habitantes das ilhas desejassem se aproximar do país. Essa formulação reconhecia a importância da vontade dos moradores. Agora, o presidente afirma que eles não podem decidir sobre o futuro do território.
A mudança ganhou força depois de Donald Trump dizer que poderia rever a posição dos Estados Unidos sobre as ilhas, em meio a divergências com Londres relacionadas à guerra no Irã. Milei declarou que havia “ventos de mudança”.
No pronunciamento, o presidente anunciou sanções contra empresas que atuem na exploração de recursos das Malvinas e voltou a mencionar uma base naval próxima à Terra do Fogo. Não houve ameaça de ocupação ou intervenção militar.
Milei apresentou a reivindicação como uma causa capaz de superar divisões políticas na Argentina. O movimento ocorre enquanto ele se aproxima de um novo ciclo eleitoral, em meio a instabilidade política e a uma economia real que, segundo o texto do discurso, não produz o entusiasmo divulgado pelo governo.
O Reino Unido respondeu que seu compromisso com as Falklands permanece inabalável. A mudança de posição do presidente argentino, portanto, não alterou o status das ilhas até o momento.

