O governo de Javier Milei iniciou procedimentos para sancionar 15 empresas e empresários que, segundo a Casa Rosada, violaram a soberania argentina nas Ilhas Malvinas. O grupo se soma a outras 45 pessoas e companhias que já estavam sob atenção do governo desde a semana passada.
Na véspera, a administração argentina também anunciou denúncias penais contra cinco petrolíferas que operam no arquipélago. A acusação é de que as empresas atuam com licenças do “governo ilegítimo do Reino Unido” e sem autorização da Argentina, em desacordo com a legislação do país.
A sequência de medidas ocorreu depois de Donald Trump afirmar que não descarta revisar a neutralidade adotada pelos Estados Unidos em relação à soberania das ilhas. O posicionamento aproximou Washington da reivindicação argentina e contrariou o governo britânico do premiê trabalhista Andy Burnham.
Milei fez um pronunciamento em rede nacional três dias depois da declaração de Trump. Cercado por integrantes do gabinete, afirmou que as Malvinas são argentinas “por história e por direito” e classificou a presença britânica como uma situação colonial que continua até os dias atuais. Também disse que o governo adotaria medidas práticas.
A disputa é sensível para o presidente porque alguns argentinos criticaram sua declaração de 2023, quando chamou Margaret Thatcher de uma das grandes líderes da história. Thatcher era primeira-ministra em 1982, durante a guerra pela retomada do arquipélago, que terminou com 649 argentinos e 255 britânicos mortos. Na ocasião, Milei disse que a recuperação deveria ocorrer por meios diplomáticos.
Depois de assumir a Presidência, ele buscou aproximação com autoridades britânicas, mantendo a questão das ilhas entre os assuntos tratados. Em abril do ano passado, durante uma cerimônia de lembrança dos mortos no conflito, defendeu que os habitantes do arquipélago passassem a preferir a Argentina, sem necessidade de dissuasão ou persuasão.
A política voltou a gerar controvérsia no dia 24 de agosto, quando um navio petroleiro de bandeira britânica atracou por algumas horas no porto de Ushuaia. A cidade fica na Terra do Fogo, e o porto está sob administração da Agência Nacional de Portos e Navegação desde janeiro deste ano.
Andrés Dachary, secretário provincial para as Malvinas, Antártica, Ilhas do Atlântico Sul e Assuntos Internacionais, afirmou que o episódio nunca havia ocorrido antes. O governo argentino respondeu que o navio não ameaçava a soberania do país e que nenhuma lei havia sido violada. Dachary concordou com essa avaliação, mas questionou a coerência do discurso atual de Milei.
A pesquisa mais recente da AtlasIntel, realizada em agosto, registrou desaprovação de 58% ao presidente, quatro pontos abaixo do mês anterior. O efeito da nova postura sobre sua imagem ainda não está definido. No mesmo contexto, o ministro israelense Itamar Ben Gvir pediu que Binyamin Netanyahu reconhecesse as Malvinas como território argentino ocupado.


