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Política

AfD amplia força em Saxônia-Anhalt e desafia bloqueio dos partidos alemães

Com quase 44% dos votos, a legenda de extrema direita deve participar da formação do governo estadual, avalia o historiador Marcus Böick.

AfD amplia força em Saxônia-Anhalt e desafia bloqueio dos partidos alemães
Foto: Fabrizio Bensch/Reuters

A Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou quase 44% dos votos em Saxônia-Anhalt e alcançou cerca de 55% em Aschersleben, cidade natal do historiador Marcus Böick. Para ele, o resultado coloca o país em um cenário sem precedente desde a Segunda Guerra Mundial: um partido de extrema direita provavelmente formará um governo.

Böick, professor associado de História Alemã Moderna da Universidade de Cambridge, afirma que a situação é incerta porque a AfD não obteve maioria, assim como as demais legendas. Ainda assim, considera que o isolamento imposto pelos partidos tradicionais perdeu eficácia. “A defesa do sistema democrático não é mais argumento”, disse.

O limite do bloqueio partidário

O sistema político da Alemanha Ocidental, organizado após 1949, foi concebido com normas e mecanismos de controle para dificultar a chegada ao poder de forças fascistas ou nazistas. Na avaliação do professor, depois de quase 80 anos, essa estrutura deixou de cumprir esse papel.

Um dos instrumentos desse bloqueio é o Brandmauer, expressão usada para descrever a rejeição à cooperação com a AfD. Böick observa que os partidos alemães conseguiram manter essa barreira por longo período, mas agora ficaram em posição minoritária diante do avanço da sigla em Saxônia-Anhalt. Na Turíngia, há dois anos, o cordão sanitário impediu que a legenda mais forte formasse o governo.

A AfD já é, segundo o historiador, a maior força partidária em âmbito federal. Na tradição política alemã, a legenda mais votada costuma liderar o governo. O cenário também é pressionado pela baixa popularidade de Friedrich Merz e pela crise dos partidos tradicionais, incluindo o SPD e a CDU.

Crise econômica e promessa de cumprimento

Böick relaciona o crescimento da AfD a dificuldades enfrentadas pelas economias europeias e à percepção de que os partidos tradicionais oferecem poucas respostas para problemas como custo de vida, inflação e preços da energia. Também cita a Rússia hostil, a concorrência da China e a imprevisibilidade dos Estados Unidos entre os desafios do período.

Na avaliação do professor, Merz perdeu credibilidade ao fazer acordos com os sociais-democratas, aumentar impostos, gastar dinheiro e não enfrentar a imigração de modo satisfatório. A AfD explora essa frustração com uma mensagem atribuída a Ulrich Siegmund: “Fazemos promessas e as cumprimos”. Siegmund e Alice Weidel também mencionaram 2029, ano das próximas eleições federais.

Pertencimento e nostalgia

Para Böick, o desempenho eleitoral da AfD não pode ser explicado apenas pela adesão a ideias nazistas ou fascistas. Embora existam neonazistas e pessoas com vínculos pós-nazistas na estrutura do partido, o eleitorado mais amplo seria mobilizado principalmente por uma busca de pertencimento.

O professor afirma que a legenda passou a organizar torneios de futebol, encontros comunitários e outros eventos em pequenos vilarejos. Essas iniciativas preenchem um espaço deixado por partidos tradicionais e, no leste alemão, também por instituições religiosas enfraquecidas. Nas redes sociais, a AfD combina referências à Alemanha Oriental, ao Império Alemão e à imagem de uma nação forte.

A estratégia encontra terreno em regiões que, nos últimos 20 ou 30 anos, perderam cinemas, estações ferroviárias, escolas e hospitais. Böick descreve um processo contínuo de retração, acompanhado pela sensação de ausência do Estado e de falta de perspectivas.

A nostalgia também se relaciona à experiência dos anos 1990. O historiador afirma que parte da população passou a recordar a Alemanha Oriental como um período de maior comunidade, emprego e igualdade relativa, embora antes rejeitasse aquele regime. Com a saída de moradores e o aumento da competição individual, essa percepção teria ganhado força.

Em um comício realizado em Magdeburgo, um telão exibiu Siegmund em uma motoneta Simson, recorrendo a memórias da Alemanha Oriental. Para Böick, a combinação de símbolos distintos não precisa obedecer a uma lógica histórica coerente: no populismo digital de direita, o sentimento tem mais peso do que a racionalidade.

Böick nasceu em Aschersleben e é especialista na história da Alemanha Oriental e na transição do socialismo para o capitalismo nos anos 1990. Também teve passagens pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, e pela Universidade de Toronto, no Canadá.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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