São Paulo, Terça-feira, 13 de outubro de 2026
Dólar R$ 4,99 · Euro R$ 5,58 · Ibovespa 209.067 -0,00%
Notícia com critério
Internacional

Morte de despejada amplia protestos por moradia e tensão eleitoral na Espanha

A morte de Maricarmen Abascal, retirada de casa aos 87 anos, reacendeu mobilizações e entrou no centro da campanha eleitoral espanhola.

Morte de despejada amplia protestos por moradia e tensão eleitoral na Espanha
Foto: Susana Vera/Reuters

A morte de Maricarmen Abascal, despejada aos 87 anos do apartamento onde viveu por 70 anos, ampliou os protestos por mudanças nas leis de habitação e elevou a tensão da campanha para as eleições parlamentares de 29 de novembro na Espanha.

Maricarmen estava internada desde que foi retirada de maca do imóvel alugado, em razão de sua saúde debilitada. Ela morreu na tarde de quarta-feira (7), sem voltar para casa. A empresa proprietária havia autorizado o retorno depois que o caso ganhou repercussão.

Na quinta (8), cerca de 20 mil pessoas, segundo a Delegação do Governo, marcharam até o antigo prédio da idosa. A manifestação saiu da Puerta del Sol, em Madri, onde, desde o dia seguinte ao despejo, funciona um acampamento pela aprovação de mudanças na legislação habitacional. O local reúne mais de 1.300 tendas.

Os manifestantes também apontam o aumento dos custos de moradia. Entre 2015 e 2025, o preço de compra de uma casa subiu 80%, enquanto os aluguéis avançaram 87%.

Habitação no centro da disputa política

A morte ocorreu em meio à crise política aberta na última segunda (5), quando o primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou a dissolução do Parlamento e convocou eleições antecipadas. A decisão veio depois que os deputados rejeitaram dois decretos do Executivo sobre habitação.

Os decretos foram modificados e apresentados à Deputação Permanente, órgão que continua funcionando após a dissolução do Parlamento. Com a composição atual, outros partidos têm menos margem para impedir a aprovação.

Um dos textos prevê a suspensão até 2030 dos despejos de pessoas vulneráveis que não tenham alternativa habitacional. A expectativa é que esse decreto seja aprovado. O segundo estabelece a renovação automática dos contratos de aluguel e deve enfrentar mais dificuldades.

A mobilização pode aumentar com a greve geral pela moradia convocada para o próximo 11 de novembro, com apoio dos principais sindicatos da Espanha.

A pauta também provocou divergências entre os partidos. O PP, principal legenda de oposição, bloqueou em organismos sob seu controle, como a Prefeitura e a Assembleia de Madri, a realização de um minuto de silêncio pela morte de Maricarmen.

O líder do partido, Alberto Núñez Feijóo, pediu que seus correligionários não caíssem no que chamou de armadilhas da esquerda e afirmou: “Não vamos permitir a tentativa de manipulação emocional dos cidadãos”. O Vox acusou Pedro Sánchez de instrumentalizar a morte da idosa.

A mensagem de Maricarmen divulgada nas redes sociais do Sindicato de Inquilinos também ganhou destaque: “Coragem. Lutem, defendam o que é de vocês.”

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.