A ciência não consegue determinar com precisão quando, onde e com qual magnitude ocorrerá um novo terremoto. Após um grande abalo, especialistas podem estimar a frequência provável de réplicas e a chance de tremores com diferentes magnitudes, mas essas projeções são atualizadas conforme novos eventos são registrados.
No Panamá, o terremoto de magnitude 7,7 ocorrido na sexta-feira (9) foi seguido por mais de 80 réplicas, conforme dados divulgados neste sábado (10). Um dos tremores posteriores teve magnitude superior a 6,0 e pode provocar novos danos em áreas atingidas pelo primeiro evento.
O terremoto inicial deixou ao menos 27 feridos, causou desabamentos e danificou estradas e edifícios. Os maiores estragos ocorreram no centro do país. A capital também sentiu os tremores, a cerca de 200 quilômetros do epicentro.
Como a sequência se forma
Os abalos acontecem quando a tensão acumulada nas rochas da crosta terrestre é liberada de forma repentina, geralmente ao longo de falhas geológicas. A superfície do planeta é composta por placas tectônicas que se movimentam lentamente, alguns centímetros por ano.
Em certas áreas, as placas se chocam, se afastam ou deslizam umas em relação às outras. O atrito pode prender as rochas, permitindo que a pressão aumente até provocar uma ruptura ou um deslocamento brusco. A energia liberada se propaga em ondas sísmicas e faz o solo tremer.
A ruptura inicial modifica a distribuição das tensões nas rochas próximas à falha. Outros pontos podem então se deslocar, produzindo os tremores secundários, chamados de réplicas. O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) informa que esses eventos integram o reajuste das rochas depois da ruptura inicial.
Duração e intensidade
As réplicas costumam ser mais frequentes nas primeiras horas e nos primeiros dias após o terremoto principal. Depois, a quantidade de novos abalos tende a cair. Não há, porém, um prazo determinado para o fim da sequência: em terremotos muito fortes, os tremores podem continuar durante meses ou até anos.
A redução ao longo do tempo diz respeito principalmente à frequência dos eventos, e não significa que cada réplica será necessariamente mais fraca que a anterior. A quantidade e a duração dependem da magnitude do primeiro terremoto, das características das falhas geológicas e das condições da região atingida.
Em geral, as réplicas têm magnitude menor que a do terremoto principal. Ainda assim, podem derrubar estruturas já comprometidas, provocar novos deslizamentos e ampliar os danos. Também pode ocorrer que um tremor posterior seja mais forte. Nesse caso, o primeiro passa a ser classificado como abalo precursor, e o de maior magnitude se torna o terremoto principal.
Por isso, uma sequência com várias réplicas não indica, por si só, que um novo terremoto de grande magnitude esteja prestes a ocorrer.
Alertas e proteção
Alguns países mantêm sistemas capazes de identificar um terremoto logo após seu início e avisar a população segundos antes da chegada das ondas sísmicas mais intensas a determinadas localidades. Esses mecanismos não antecipam a ocorrência do terremoto.
O risco imediato das réplicas está especialmente nos imóveis danificados. Prédios com rachaduras, partes comprometidas ou possibilidade de desabamento devem ser evitados até uma avaliação por profissionais habilitados.
Durante um tremor, a orientação é abaixar-se, proteger a cabeça e o pescoço e, se possível, ficar sob uma mesa resistente até o fim do movimento. Em áreas costeiras, tremores fortes ou prolongados exigem atenção para o risco de tsunami e para as instruções das autoridades locais.
Como não é possível prever terremotos com precisão, a redução dos danos depende da preparação das cidades, de construções resistentes a abalos sísmicos, da fiscalização das estruturas e da existência de planos de emergência.


