O ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, apresentou na quinta-feira (3) uma proposta para retirar palestinos da Faixa de Gaza e enviá-los a outros países. O plano estabelece a saída de 250 mil pessoas no primeiro ano e prevê que os aproximadamente 2 milhões de habitantes restantes deixem o território nos seis anos seguintes.
Integrante do partido de ultradireita Poder Judaico e da coalizão governista, Ben-Gvir afirmou que a iniciativa é viável. “É realista”, disse. Ele defendeu o estímulo à emigração dos moradores de Gaza, mas declarou que o projeto não obrigaria os palestinos a abandonar suas terras. O ministro também afirmou que vários países estariam dispostos a recebê-los, sem informar quais.
Reação palestina e posição do governo
O Hamas pediu nesta sexta-feira (4) que países árabes e muçulmanos rejeitem a proposta. O grupo classificou a medida como uma tentativa de deslocamento forçado da população de Gaza.
O ministro da Defesa, Israel Katz, do Likud, confirmou que o governo israelense trabalha com planos para transferir palestinos do território, mas disse aguardar uma decisão dos Estados Unidos sobre os destinos dessas pessoas.
O deslocamento forçado de civis de um território ocupado é considerado crime de guerra pela Convenção de Genebra. Entre os palestinos, a possibilidade de expulsão é associada à Nakba, nome dado ao êxodo de 1948, depois da fundação do Estado de Israel.
A proposta foi apresentada em um cenário eleitoral. Israel realizará eleições gerais em 27 de outubro, em uma disputa considerada acirrada. Ainda não está claro se os partidos que formam o atual governo permanecerão no poder. Ben-Gvir é um aliado importante do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, do Likud.
Declarações e sanções
Ben-Gvir é alvo de críticas internacionais por falas e ações. Em 16 de agosto, afirmou que Israel deveria matar “de 30 a 40” pessoas por dia na Faixa de Gaza e construir assentamentos no território palestino. A declaração foi condenada também pela Alemanha. Por meio de um porta-voz, o premiê Friedrich Merz afirmou que “declarações que ferem o direito internacional e a dignidade humana não são aceitáveis”.
No começo da semana, Ben-Gvir publicou e depois apagou um vídeo criado com inteligência artificial sobre prisioneiros palestinos no sistema prisional israelense, administrado por ele. As imagens mostravam presos recebendo uma condenação, perdendo benefícios como comida, doces e fumo e deixando a prisão magros, famintos e chorando. Críticos compararam o local exibido a um campo de concentração nazista.
O ministro está sob sanções de Reino Unido, Austrália, Canadá, França, Irlanda e Noruega. A França também proibiu sua entrada depois que ele divulgou um vídeo de ativistas de uma flotilha humanitária detidos durante uma tentativa de romper o bloqueio a Gaza.
Em junho, durante ataques entre Israel e o Hezbollah, milícia pró-Irã no Líbano, Ben-Gvir escreveu no X que o país deveria queimar. Em novembro de 2023, após os ataques de 7 de outubro, declarou que a eliminação do Hamas incluiria pessoas que o apoiassem ou distribuíssem doces em Gaza. Em 2019, defendeu a expulsão de cidadãos israelenses de origem árabe que não fossem suficientemente leais ao país.


