Israel anunciou nesta quinta-feira (17) um exercício naval realizado há duas semanas com a Grécia no Mediterrâneo, perto de águas disputadas por Atenas e Ancara em torno de Chipre. Dois navios israelenses lançadores de mísseis atuaram com duas fragatas gregas em uma simulação de coordenação e ataque.
A movimentação ocorreu no mesmo momento em que os Estados Unidos autorizaram a venda de caças F-35 à Arábia Saudita, aliada da Turquia. O Departamento de Estado informou que o acordo envolve 48 aeronaves e 49 motores, por estimados US$ 24,9 bilhões (R$ 151,4 bilhões no câmbio desta quinta).
Israel, principal aliado dos Estados Unidos na região, protestou contra a venda dos aviões e contra o possível fortalecimento militar de Riad, alegando efeitos sobre sua segurança. No Oriente Médio, apenas Israel opera o F-35. A Arábia Saudita mantém uma frota de caças americanos e europeus, mas ainda não tinha um modelo de quinta geração.
A autorização havia sido anunciada por Donald Trump durante a visita do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman a Washington, em novembro. A decisão foi formalizada agora, enquanto o reino enfrenta uma nova fase do conflito com os houthis do Iêmen. Os F-35, porém, não chegarão a tempo de influenciar os combates atuais.
Desde julho, a guerra civil iemenita, congelada em 2022, foi reaberta depois de um bloqueio aéreo da capital ocupada pelos rebeldes pró-Irã. Na semana passada, os houthis tomaram a costa do país no mar Vermelho e ameaçaram bloquear portos sauditas. Também derrubaram um caça F-15 saudita e atacaram bases no país vizinho.
Disputa entre Israel, Grécia e Turquia
A cooperação entre Israel e Grécia começou em 2011, em um exercício liderado pelos Estados Unidos, e se tornou regular. No fim do ano passado, os dois países anunciaram uma força conjunta de 2.500 homens para operações aeronavais no Mediterrâneo.
A Grécia e a Turquia disputam áreas no entorno de Chipre e mantêm desconfiança apesar de integrarem a Otan. Os países já se enfrentaram pelo controle da ilha em 1974. A rivalidade também se relaciona ao avanço turco na Síria, após Ancara apoiar a derrubada do governo de Bashar al-Assad em 2024.
A aproximação militar entre Atenas e Tel Aviv inclui a compra, em abril, de US$ 650 milhões (R$ 3,3 bilhões) em sistemas israelenses de artilharia com mísseis Puls. Em agosto, foi anunciado um acordo de US$ 3,5 bilhões (R$ 18 bilhões) para um sistema antiaéreo de três camadas.
A Turquia foi excluída em 2019 do programa de fabricação do F-35 após comprar sistemas antiaéreos da Rússia. Trump afirmou na terça (15) que estuda permitir seu retorno. Uma decisão sobre o tema deve ocorrer logo.


