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Internacional

Queda do fentanil nos EUA e no Canadá é investigada por professor de Stanford

Keith Humphries avalia que uma possível redução da oferta de precursores químicos chineses pode explicar a queda simultânea nos dois países.

Queda do fentanil nos EUA e no Canadá é investigada por professor de Stanford

A queda das mortes por overdose de fentanil nos Estados Unidos e no Canadá ainda não tem uma causa comprovada. O professor Keith Humphries, da Universidade de Stanford, no Estado americano da Califórnia, avalia que uma redução repentina na oferta da droga pode estar ligada a medidas adotadas pela China contra fabricantes de substâncias usadas em sua produção.

Nos Estados Unidos, as mortes associadas ao fentanil aumentaram continuamente por 15 anos. A trajetória mudou em meados de 2023 e, no final de 2024, o número havia recuado em mais de um terço. O movimento também foi observado no Canadá.

O papel dos precursores

O fentanil é fabricado a partir de precursores químicos que provêm da China. Nos Estados Unidos, essas substâncias seguem para o México, onde grupos do crime organizado produzem a droga, transportada por terra através da fronteira sul americana. No Canadá, os produtos chegam diretamente ao país e são usados por grupos locais de fabricação ilícita.

Como a redução ocorreu ao mesmo tempo nos dois países, Humphries considera menos provável que a explicação esteja exclusivamente no México ou em fatores próprios do Canadá. O ponto comum entre as duas cadeias de produção seria a origem chinesa dos precursores.

A hipótese, porém, não é confirmada diretamente. O pesquisador afirma que há indícios indiretos, entre eles relatórios oficiais chineses que registram o fechamento de websites e a assinatura de um acordo com os Estados Unidos em 2023 para aumentar a pressão sobre esse comércio. Segundo Humphries, o governo chinês teria capacidade de restringir a atividade e pode ter demonstrado disposição para fazê-lo, embora a produção ilegal não seja dirigida pelo governo.

Uma mudança ainda incerta

O professor diz haver segurança de que ocorreu uma alteração repentina na oferta, mas não sobre a participação chinesa nesse processo. Até agora, o número de mortes não voltou a subir, o que pode indicar que a redução do fornecimento continua. Ainda assim, não é possível saber se a mudança será duradoura.

Humphries afirma que tratamentos e medicamentos de emergência contra overdoses continuam salvando vidas. Para ele, a queda na oferta não reduz a importância dos serviços de saúde voltados às pessoas que enfrentam problemas de consumo de drogas. A criação desses sistemas, porém, exige tempo e não pode transformar toda a situação em seis meses.

Tratamento e controle da demanda

Na avaliação do pesquisador, a dificuldade maior para obter fentanil, seu preço mais alto e a menor potência podem abrir uma oportunidade para oferecer tratamento a pessoas que desejam abandonar o consumo. A longo prazo, ele considera que a demanda continuará atraindo fornecedores em um cenário de comércio global e internet.

Por isso, a saída da China desse mercado poderia deslocar a produção para outros países, como Índia ou Tailândia. Humphries defende medidas para reduzir a demanda e afirma que o controle de fronteiras e a atuação policial têm importância, mas apresentam limites. O aumento de guardas e inspeções interceptaria mais drogas, sem necessariamente ampliar na mesma proporção o volume apreendido.

O professor também alerta para possíveis efeitos colaterais de ações policiais, citando as detenções em massa em bairros pobres durante a chamada guerra contra as drogas. No caso analisado, ele afirma que não houve detenções nem efeitos colaterais associados à intervenção sobre a oferta.

Humphries trabalha com o tema há 35 anos e faz voluntariado em Tenderloin, bairro de São Francisco. Ele diz que a redução das mortes lhe causa satisfação, mas mantém a preocupação sobre a possibilidade de reversão do quadro. Para o pesquisador, a experiência mostra que existem soluções eficazes e que a diplomacia pode influenciar o comportamento de outros países.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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