O Reino Unido anunciou que proibirá a importação de produtos fabricados em assentamentos israelenses na Cisjordânia. A decisão foi apresentada pelo chanceler Ed Miliband no Parlamento e faz parte de um pacote de sanções anunciado nesta terça-feira (8) por 12 países contra o governo de Israel.
Além do Reino Unido, participam da iniciativa Canadá, França, Dinamarca, Finlândia, Islândia, Irlanda, Noruega, Polônia, Portugal, Espanha e Suécia. Os governos disseram que poderão adotar restrições nacionais ou apoiar medidas no âmbito da União Europeia.
Miliband afirmou que Londres não poderia mais se limitar a denunciar a expansão dos assentamentos e que precisava agir para tentar preservar a possibilidade de uma solução de dois Estados. O governo britânico também acusou Israel de permitir uma situação que, segundo o chanceler, configura “limpeza étnica”.
Reação de Israel
A declaração conjunta dos países afirma que a violência de colonos na Cisjordânia atingiu níveis “sem precedentes”. O grupo também disse que as ações israelenses prejudicam a possibilidade de uma solução de dois Estados e cobrou a responsabilização pelos atos de violência, além da investigação de denúncias envolvendo militares israelenses.
O chanceler israelense, Gideon Saar, anunciou que Israel fechará o consulado britânico em Jerusalém Oriental, que mantém relações com a Autoridade Palestina. Saar também afirmou que o Reino Unido deixará de participar de uma missão de coordenação liderada pelos Estados Unidos para Gaza.
Algumas autoridades britânicas, entre elas o ex-líder do Partido Trabalhista Jeremy Corbyn, e outros cidadãos serão proibidos de entrar em Israel, de acordo com Saar. O ministro das Finanças israelense, Bezalel Smotrich, pediu a expulsão do embaixador britânico em Tel Aviv. Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional, solicitou a Netanyahu o fechamento do consulado britânico em Jerusalém Oriental.
O presidente israelense, Isaac Herzog, acusou o Reino Unido de interferir nas próximas eleições de Israel, previstas para o fim de outubro. Smotrich também anunciou o avanço de planos para construir 1.000 novas moradias em outros dois assentamentos na Cisjordânia.
Impacto e disputa diplomática
Os principais produtos dos assentamentos são agrícolas, como tâmaras, frutas cítricas, ervas e vinho. As exportações representam apenas uma pequena fração do total israelense, e as restrições comerciais devem ter efeito limitado sobre os fluxos bilaterais. Ainda não está claro como Londres identificará as mercadorias produzidas nos assentamentos e as distinguirá das demais exportações de Israel.
França vinha defendendo havia semanas uma resposta conjunta da União Europeia, mas a proposta enfrentava resistência de alguns países do bloco. Irlanda e Espanha já haviam adotado medidas contra o comércio com assentamentos israelenses.
Os Estados Unidos também criticaram o anúncio. O embaixador americano em Israel, Mike Huckabee, classificou as sanções como “discriminação contra o povo judeu”. O chefe da diplomacia de Washington, Marco Rubio, disse que as medidas poderiam desestabilizar a Cisjordânia.
A pressão se concentra no projeto E1, aprovado por Israel em 2025. O plano prevê 3.400 moradias em uma área de 12 quilômetros quadrados a leste de Jerusalém. A ocupação do local é considerada capaz de fragmentar ainda mais o território palestino e dificultar a criação de um Estado palestino territorialmente viável.
A Cisjordânia é ocupada militarmente por Israel desde 1967 e é reivindicada pelos palestinos como parte de seu futuro Estado. Hoje, a região abriga cerca de 3 milhões de palestinos e 500 mil colonos israelenses. Os assentamentos são ilegais perante o direito internacional, segundo a Convenção de Genebra.

