Uma operação retirou migrantes acampados na praia de Guano antes da agenda de Felipe VI e Letizia em Ceuta, enclave espanhol no norte da África. Os agentes chegaram por volta das 7h do horário local, determinaram a saída das pessoas das barracas e as conduziram, em grupos, até um ônibus.
De acordo com informações locais, o grupo foi levado a um Centro de Assistência Temporária a Estrangeiros (CATE), onde seria identificado e registrado. Depois da retirada, trabalhadores começaram a limpar a área e descartaram tendas improvisadas, colchões e pertences pessoais.
A operação ocorreu durante a primeira visita dos reis a Ceuta desde a ascensão de Felipe VI ao trono, em 2014. Na sede do governo da cidade, milhares de moradores aguardavam o casal com bandeiras da Espanha e manifestações de apoio à permanência do território sob controle espanhol.
“Estávamos esperando a visita há muito tempo”, afirmou Toñi Jiménez, auxiliar de enfermagem de 56 anos. Ela disse que a presença dos reis representa apoio diante da intenção do Marrocos de reivindicar Ceuta e Melilla.
Confrontos e acolhimento
Imagens exibidas pela TVE mostraram a polícia controlando aglomerações de migrantes que buscavam vagas em abrigos temporários. Pessoas que haviam passado a noite na praia aplaudiram no início o deslocamento, mas depois ocorreram confrontos pela quantidade limitada de lugares disponíveis.
A polícia disparou balas de borracha para o ar e atingiu vários migrantes com cassetetes antes de retomar a operação. Os acampados fazem parte das mais de 70 mil pessoas que chegaram a Ceuta em uma migração em massa no fim de julho. A maior parte retornou quase imediatamente ao Marrocos, mas autoridades locais calculam que 13 mil imigrantes continuaram no território.
Após o encontro com as autoridades, Felipe VI e Letizia devem visitar uma escola onde convivem comunidades católica, muçulmana, judaica e hindu. O casal passará a noite em Ceuta e seguirá para Melilla nesta quarta-feira (14).
O governo central tenta acelerar a devolução dos migrantes. A legislação exige a identificação individual para avaliar pedidos de asilo ou eventual retorno, enquanto milhares de menores de idade devem receber proteção especial.


