Um relatório do inspetor-geral do Departamento de Defesa dos Estados Unidos registrou perdas de equipamentos, mortes e danos a instalações durante a Operação Fúria Épica, campanha conjunta com Israel contra o Irã. O documento também aponta que os gastos militares reduziram os estoques estratégicos americanos e expuseram dificuldades para repor munições.
Apresentado ao Congresso na segunda-feira (14), o relatório estima que a operação custou US$ 33,4 bilhões (cerca de R$ 172,7 bilhões) entre 28 de fevereiro e 30 de junho. Desse montante, US$ 22,3 bilhões (R$ 115,3 bilhões) foram destinados às munições utilizadas no conflito.
O Pentágono informou que pretende simplificar processos de aquisição e prazos de fabricação, além de manter estoques de materiais, componentes e algumas munições. O documento ressalva que a expansão da capacidade industrial exigirá “um prazo considerável”.
Danos e baixas
Entre os equipamentos perdidos estão quatro caças F-15 destruídos, um F-35 danificado, sete aviões-tanque KC-135 danificados e até 30 drones MQ-9 Reaper destruídos. O relatório também confirmou ataques iranianos, com drones e mísseis balísticos, contra o principal centro logístico da Marinha americana na região, situado no Bahrein.
Instalações militares americanas no Kuwait, Bahrein, Qatar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Iraque, Omã e Jordânia sofreram danos ou foram destruídas durante o conflito. Esses prejuízos não entraram no cálculo da operação porque ainda não está definido se todas as bases serão reconstruídas nem quem pagará pelos trabalhos.
Até 30 de junho, sete militares americanos haviam morrido em combate e outros sete em ocorrências sem relação com ações hostis durante as operações. O número de feridos em combate chegou a 417.
Impacto sobre aliados
O relatório pode aumentar a preocupação de governos que dependem de armamentos americanos, como Ucrânia e Taiwan. A Ucrânia busca mísseis interceptadores para os sistemas Patriot, enquanto Taiwan depende de acordos de venda de armas com Washington para se proteger da China, que reivindica a ilha autogovernada.
O Centcom, Comando Central dos Estados Unidos, define a Operação Fúria Épica como uma campanha destinada a “destruir a capacidade do Irã de projetar poder militar”. Nas primeiras 24 horas da guerra, os Estados Unidos atingiram mais de mil alvos, mas não repetiram ataques dessa dimensão nos meses seguintes.
O presidente Donald Trump tem rejeitado preocupações sobre o nível dos arsenais e afirmou que o país possui munição “praticamente ilimitada”. Na segunda-feira, publicou ainda que os Estados Unidos produzem mais armas sofisticadas do que em qualquer outro período de sua história.
A guerra começou em 28 de fevereiro. Potências ocidentais acusam há décadas a república islâmica de tentar obter armas nucleares, alegação negada por Teerã.


