Publicações de Portugal, Espanha, França, Alemanha, Canadá, Angola, Japão, Singapura e Kuwait repercutiram a sessão do Supremo Tribunal Federal que adiou a decisão sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes. O caso envolve suspeitas de vínculos entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito do caso Master.
A decisão foi adiada depois de um pedido de vista. As notícias foram divulgadas principalmente no dia 15, embora também tenham sido publicadas no dia 16, no Japão e no Kuwait. Os relatos apresentaram enfoques diferentes sobre o episódio e sobre a influência do Supremo no sistema político brasileiro.
Repercussão internacional
Em Portugal, o Correio da Manhã informou que o julgamento foi suspenso após o pedido de vista e mencionou supostas ligações indevidas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. O jornal também citou Viviane de Moraes, esposa do ministro, como advogada do banqueiro.
Na Espanha, o El Mundo destacou a possibilidade de investigação contra o ministro e descreveu o Supremo Tribunal Federal como uma instituição de grande influência no Brasil. O Le Monde, da França, relacionou o episódio ao caso Master e lembrou que Moraes foi responsável pela condenação de Jair Bolsonaro.
Na Alemanha, o site Menu noticiou a apuração de possíveis vínculos entre o ministro e o banqueiro. O relato registrou que Moraes rejeitou as acusações e classificou o processo como politicamente motivado. No Canadá, a Canadian Press descreveu uma crise no Supremo, com decisões anuladas entre ministros, sessões canceladas e suspeitas de corrupção, parcialidade política e interferência policial.
O SIC Notícias, de Angola, informou que Moraes teria trocado mensagens e prestado aconselhamento jurídico a Vorcaro. No Japão, o The Japan Times afirmou que o adiamento poderia levar a discussão para depois das eleições presidenciais de outubro. Singapura e Kuwait também publicaram relatos sobre o episódio.
Possíveis efeitos
A circulação internacional de notícias sobre a possibilidade de investigação de um ministro pode afetar a imagem do Judiciário brasileiro, segundo a avaliação apresentada no texto. Entre os possíveis reflexos estão maior cautela de investidores estrangeiros, aumento da procura por tribunais arbitrais e dificuldades para a escolha de brasileiros para cortes internacionais.
Também é apontada a possibilidade de outros países adotarem maior rigor no cumprimento de cartas rogatórias brasileiras. O texto cita decisão do juiz Mark Weekes, do Tribunal da Coroa de Southwark, em Londres, que autorizou autoridades britânicas a continuar usando provas da Operação Lava Jato compartilhadas com o Escritório de Fraudes Sérias, apesar de decisão contrária de Dias Toffoli.
A avaliação apresentada é que o Supremo atravessa a fase mais crítica de sua história e que a sociedade espera a recuperação do conceito anteriormente atribuído à Corte.


