A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, defendeu a retomada das negociações com a Guiana sobre Essequibo durante seu discurso na Assembleia Geral da ONU. Ela afirmou que os acordos bilaterais seriam o caminho para resolver a disputa e voltou a sustentar os direitos históricos venezuelanos sobre a região.
"Não posso deixar de mencionar (...) nossa reafirmação dos direitos históricos da Venezuela sobre a região do Essequibo", disse Rodríguez. Ela também contestou a Sentença Arbitral de Paris, de 3 de outubro de 1899, que estabeleceu a fronteira entre a Venezuela e a então Guiana Britânica.
Durante a sessão desta quarta-feira (23), a presidente interina usou um broche semelhante a um mapa da Venezuela com Essequibo incluído no território. A região pertence à Guiana, mas é reivindicada por Caracas. A comunidade internacional considera o território parte da Guiana.
A Venezuela formalizou a reivindicação em 2023, quando o então presidente Nicolás Maduro promoveu um referendo sobre a incorporação de Essequibo e promulgou uma lei para criar uma província venezuelana na área. Depois disso, o governo passou a adotar um mapa oficial que mostra a região como parte do país.
Petróleo e escalada da disputa
Essequibo fica no extremo oeste da Guiana, ocupa 159 mil km² e corresponde a cerca de 70% do território guianense. A área é maior que o estado do Ceará e a Inglaterra. Grandes reservas de petróleo foram encontradas no local em 2015. A Guiana tem estimativa de 11 bilhões de barris, muitos deles em áreas offshore próximas de Essequibo.
Em 3 de dezembro, um plebiscito sobre a anexação do território, chamado pelos venezuelanos de Guiana Essequiba, foi aprovado por 95% dos eleitores presentes. O comparecimento correspondeu à metade dos eleitores venezuelanos.
Em meio à tensão, as Forças Armadas ampliaram a presença de militares brasileiros nas fronteiras com Venezuela e Guiana. Em 7 de dezembro, os Estados Unidos anunciaram exercícios militares na Guiana, inclusive em Essequibo. No dia seguinte, Nicolás Maduro assinou decretos para incorporar o território.


