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Internacional

Anúncios no Telegram usam falsas denúncias de estupro para promover canais pró-Rússia

Levantamento identificou mais de 6,5 mil anúncios enganosos, com imagens de mais de 20 mulheres ucranianas e 65 milhões de visualizações.

Anúncios no Telegram usam falsas denúncias de estupro para promover canais pró-Rússia

Uma rede de anúncios enganosos no Telegram usa fotos reais de mulheres ucranianas para divulgar falsas alegações de estupro, sequestro e execução. As publicações prometem vídeos de violência sexual, mas direcionam os usuários para canais privados com conteúdo favorável à guerra da Rússia.

Foram identificados mais de 6,5 mil anúncios desse tipo, publicados por cerca de 1,7 mil canais. Juntas, as publicações tiveram mais de 65 milhões de visualizações. As imagens de mais de 20 mulheres foram usadas como isca, muitas delas integrantes ou ex-integrantes do Exército ucraniano.

Uma das vítimas é Leshkasheli, que teve uma fotografia antiga, tirada quando usava uniforme militar em Avdiivka, na Ucrânia, associada a uma falsa história de captura e estupro. A imagem foi acompanhada por um link que prometia mostrar como ela e outras mulheres estariam sendo punidas.

A estratégia também atribui às mulheres acusações de tortura contra soldados russos ou de defesa da morte de crianças russas. As mensagens incluem insultos étnicos e de gênero. Quando o usuário acessa o link, porém, o vídeo anunciado não aparece. Em seu lugar, há canais com material favorável à guerra.

Rede de canais e anúncios

A campanha se espalha pelo Telegram, mas também aparece em vídeos no TikTok e no YouTube e em publicações na rede social russa VKontakte. Os conteúdos promovem os mesmos canais privados.

Valentyna Shapovalova, pesquisadora de desinformação de gênero, afirmou que a campanha transforma a promessa de violência sexual em entretenimento para atrair e monetizar a atenção. Segundo ela, as publicações também humilham ucranianos e normalizam a violência sexual contra o inimigo, mesmo quando não são produzidas pelo Estado.

Seis canais ligados à rede ultrapassaram 1 milhão de inscritos. Três dos maiores foram criados em um intervalo de 72 horas, no início da invasão russa em grande escala, em fevereiro de 2022.

O Pryamoy Efir Novosti foi associado a mais de 1 mil dos anúncios analisados e atualmente tem mais de 4 milhões de inscritos. O canal se apresenta como veículo de notícias, mas antes se chamava MVD 18+, em referência a conteúdo adulto. Parte significativa do histórico de mensagens desapareceu.

Os três canais reproduzem conteúdo da mídia estatal russa e seguem a linha do Kremlin. Eles descrevem avanços militares como libertações, apresentam a União Europeia e o Reino Unido como agressores e celebram baixas ucranianas. Dois também usam insultos étnicos contra ucranianos.

Remoções e novas contas

Em contato com possíveis anunciantes, o Pryamoy Efir Novosti informou que cobrava no mínimo 500 mil rublos (R$ 29,9 mil) por anúncio. Os outros dois canais disseram cobrar cerca de 40 mil rublos (R$ 2.400) cada. O Pryamoy Efir classificou as informações como incompatíveis com a realidade.

Quase 5,4 mil dos mais de 6,5 mil anúncios identificados foram removidos. Ainda assim, novas publicações continuam aparecendo. Algumas apresentam sinais de automação, com textos idênticos, inclusive os mesmos erros de digitação, publicados ao mesmo tempo em várias contas.

Yuliia Mala afirmou que denunciou e bloqueou contas, mas que o número delas continua crescendo. Leshkasheli também relatou ter feito várias denúncias ao Telegram. Oleksandra, cidadã russa que lutou como voluntária pela Ucrânia, disse ter encontrado suas fotos em publicações de 2022, 2023 e 2024. Em alguns casos, o rosto dela foi inserido digitalmente sobre um corpo nu.

Desde fevereiro de 2026, o órgão regulador de mídia da Rússia restringe o Telegram no país sob a alegação de que a plataforma não cumpre a legislação russa. A medida teve pouco efeito sobre o uso do aplicativo, pois russos recorrem a VPNs, sigla em inglês para rede privada virtual.

Lesia Palahniuk, conselheira regional de Chernivtsi, teve sua foto usada em publicações com linguagem obscena. Para ela, a exposição impõe às mulheres uma vergonha que não lhes pertence. “Elas não fizeram nada de errado”, afirmou.

Texto produzido pela Redação Caderno Atual com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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