A defesa da soberania nacional e da não interferência em assuntos internos marcou o discurso de Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral da ONU, realizado pouco antes da fala de Donald Trump. O presidente brasileiro afirmou que o país não pertence à área de influência de nenhuma potência: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”.
Na mesma terça-feira (22), Trump pediu aos integrantes do Escudo das Américas que classifiquem formalmente as facções narcotraficantes como ameaças comuns à estabilidade e adotem sanções contra elas. A coalizão foi lançada pela administração americana e reúne governos alinhados ao republicano na América Latina, entre eles Argentina, Chile e El Salvador.
Cartéis como alvo
O combate aos cartéis de drogas está entre os objetivos declarados da iniciativa. Em seu discurso, Trump afirmou que os Estados Unidos mobilizaram suas Forças Armadas para eliminar gangues e cartéis. Também comparou essas organizações ao Estado Islâmico e defendeu que seus integrantes sejam mortos, exilados ou detidos.
A administração Trump passou a classificar as facções brasileiras como terroristas globais. O governo brasileiro contesta essa denominação. Pela legislação do país, terrorismo corresponde a atos violentos motivados por xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião, quando praticados com a finalidade de provocar terror social ou generalizado e colocar em risco pessoas, patrimônio ou a paz pública.
Em maio do ano passado, Mario Sabburro, então secretário nacional de Segurança Pública, apresentou a representantes dos Estados Unidos a distinção adotada no Brasil durante uma reunião no Ministério da Justiça. Segundo ele, as organizações criminosas brasileiras não têm orientação ideológica, política ou religiosa e buscam praticar crimes e lavar dinheiro.
Referência à Doutrina Monroe
Trump também usou o termo “Donroe”, combinação de Donald com Monroe. A expressão remete à Doutrina Monroe, estabelecida no século 19, que defende as Américas como área de influência dos Estados Unidos e procura impedir que outras potências ampliem relações com países do continente.
Membros do governo Trump costumam se referir à região como o “quintal” americano. Analistas veem o Escudo das Américas como uma tentativa de afastar a América Latina da esfera de influência da China.


