A saída das delegações brasileiras e americanas da plenária da Assembleia Geral da ONU ocorreu em meio à tensão entre os governos de Brasil e Estados Unidos. Donald Trump e Lula não conversaram nos bastidores, em contraste com o encontro do ano passado, quando abraçaram-se e falaram brevemente.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, havia acompanhado apenas o discurso de Trump. Quando viu Lula durante a retirada das delegações, aproximou-se e fez um gesto para indicar que pretendia falar com o presidente brasileiro. Rubio, porém, não chegou a alcançá-lo antes que Lula deixasse o local. Na sequência, o chanceler Mauro Vieira fez um sinal para o secretário.
Discursos na Assembleia Geral
Lula discursou antes de Trump e não citou nominalmente os Estados Unidos. O presidente brasileiro, no entanto, fez referências ao país ao mencionar ingerências na América Latina e no Caribe e classificá-lo como a maior potência militar do mundo.
Também criticou o tarifaço imposto em julho pelo governo Trump, além de tentativas de interferência no processo eleitoral e na forma de combater o crime organizado na região. Lula ainda mencionou ameaças ao sistema de pagamentos instantâneos Pix. “Apesar do tarifaço contra nossa economia, este ano bateremos novo recorde de exportações”, disse.
Trump não citou o Brasil em seu discurso. Ele havia ameaçado usar força militar “se necessário” na América Latina e falou sobre a designação de cartéis como terroristas desde que voltou à Casa Branca, incluindo o CV (Comando Vermelho) e o PCC (Primeiro Comando da Capital).
No ano passado, Trump afirmou que havia uma “química exclente” com Lula. O contato entre os dois marcou uma mudança na relação entre os governos e abriu caminho para a retomada das negociações entre Brasil e Estados Unidos. Neste ano, o governo Trump adotou medidas contra o Brasil, como tarifas e a revogação do visto da embaixadora Maria Luiza Viotti.


