A delegação dos Estados Unidos não aplaudiu o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). O presidente americano, Donald Trump, não estava no salão.
Estavam presentes Howard Lutnick, secretário do Comércio dos EUA; Jamieson Greer, representante de Comércio dos EUA; e Scott Bessent, secretário do Tesouro. Lula recebeu aplausos de outras delegações ao menos duas vezes durante a fala, além da manifestação ao final.
O presidente brasileiro defendeu a soberania dos países e o princípio da não interferência em assuntos internos. Também afirmou que o Brasil não se subordina a outros países e precisa de parceiros com uma agenda voltada ao desenvolvimento.
“Este Conselho [de Segurança da ONU] agora deve se debruçar sobre temas determinantes sobre o futuro da humanidade. Somos chamados a optar entre o multilateralismo e o unilateralismo. Soberania ou subordinação?”, afirmou Lula.
Comércio, eleições e política externa
A fala ocorreu em meio à tensão diplomática entre Brasil e Estados Unidos. O cenário inclui a reta final da eleição presidencial brasileira, marcada para 4 de outubro. Lula concorre ao cargo com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), recebido por Trump na Casa Branca em maio, durante uma viagem aos Estados Unidos.
Lula e integrantes do governo brasileiro têm manifestado preocupação com uma possível interferência externa no processo eleitoral e sustentado que a escolha do próximo presidente cabe exclusivamente aos brasileiros. O governo Trump também impôs tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, contestadas pelo governo Lula.
“A Organização Mundial do Comércio respira por aparelhos. Quando os governos capitulam frente aos que usam tarifas como armas de coerção e chantagem, as consequências são nefastas. Apesar do tarifaço contra nossa economia, este ano bateremos novo recorde de exportações”, declarou o presidente.
Durante o discurso, Lula ainda abordou o combate ao crime organizado, a inteligência artificial, as redes digitais, a regulamentação das plataformas e a defesa do PIX. Também cobrou reformas no Conselho de Segurança da ONU e defendeu a via diplomática para os conflitos globais.
A Assembleia Geral é o principal órgão deliberativo das Nações Unidas e reúne representantes dos 193 Estados-membros. O Brasil abre tradicionalmente os discursos do debate geral, prática mantida desde 1955. Neste ano, Lula foi seguido por Donald Trump.


