O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (26) que espera chegar a um entendimento com Cuba sem recorrer às Forças Armadas americanas. A declaração foi dada a repórteres na Casa Branca: “Cuba e nós faremos um acordo”, disse. Trump acrescentou que não acredita ser necessário usar os militares.
A fala representa uma mudança em relação à ameaça feita pelo presidente na Assembleia Geral da ONU, na terça-feira (22). Na ocasião, Trump mencionou a possibilidade de empregar força militar na América Latina e no Caribe, principalmente contra cartéis de drogas, comparados por ele ao Estado Islâmico.
O presidente também citou Cuba no discurso. Disse que o secretário de Estado, Marco Rubio, tentava negociar com Havana, mas voltou a defender uma mudança no comando da ilha. Trump acusou o governo cubano de manter relações com grupos de esquerda e organizações comunistas nos Estados Unidos.
A delegação cubana deixou a assembleia durante a fala do presidente americano. Depois, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, afirmou na rede social X que o governo dos Estados Unidos não aceita a soberania e a independência do país.
Histórico recente de ameaças e negociações
Em março, Trump havia dito que teria “a honra de tomar Cuba” e que poderia fazer o que quisesse com a ilha, descrita por ele como uma “nação falida”. Dois meses depois, em maio, afirmou estar perto de um acordo diplomático, independentemente de uma eventual mudança de regime.
O chanceler cubano voltou a criticar as ações americanas contra Havana em discurso na ONU neste sábado. Para Rodríguez, a política dos Estados Unidos constitui uma agressão multidimensional contra a população cubana e uma forma de punição coletiva proibida pelo direito internacional humanitário.
Ele também condenou ataques contra embarcações, execuções no mar do Caribe e em áreas do Pacífico, além da ação militar contra a Venezuela e da guerra contra o Irã. O discurso pediu que os países-membros se oponham às medidas e declarações de Washington com base no direito internacional.
O texto também mencionou ataques a embarcações que, segundo a acusação apresentada, mataram mais de 230 pessoas sem evidências de que os alvos fossem criminosos. Em janeiro, militares americanos haviam conduzido uma operação na Venezuela que capturou Nicolás Maduro e o levou sob custódia a Nova York, onde ele responde a acusações de tráfico de drogas. Delcy Rodríguez, vice de Maduro, passou a liderar o governo interino sob tutela de Washington.


